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por Sophia Fonseca Chagas, especial para o LiceuOnline.

Desde os primórdios dos tempos a voz feminina na sociedade não tem sido protagonista de pautas, muito menos locutora de suas necessidades, sempre subjugada e colocada em segundo plano, atrás dos holofotes. No entanto, algumas mulheres quebraram esse estigma e mesmo com todos os empecilhos impostos pela sociedade, conseguiram erguer seu grito por revolução, através de suas ideologias e feitos. É sobre essas mulheres (e por elas e muitas outras), que escrevo esse texto.

 A obra “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo?” (2017), de Guerrilla Girls, atualmente exposta no Museu de Arte de São Paulo (MASP), faz uma crítica explicita sobre a participação feminina na sociedade contemporânea, em destaque na arte. No cartaz, foram expostas algumas estatísticas: “Somente 6% dos artistas em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos”. Esses dados nos fazem refletir sobre qual papel a mulher tem interpretado, que ao invés de ser reconhecida como autora de sua própria arte, é estagnada como objeto da mesma, em detrimento da própria capacidade. A que preço mulheres são reduzidas somente a corpos?

Como podemos exemplificar na obra renascentista “O Nascimento de Vênus” (1482-1485), de Sandro Botticelli, que ressalta a perfeição corporal nua da deusa Vênus, representando um padrão corporal que na época deveria ser seguido para que a mulher pudesse ser considerada possuidora de beleza. Esse conceito perdura até os dias atuais, que mesmo com o passar dos séculos e com diferentes exigências, a problemática permanece a mesma.

Após esses questionamentos, venho trazer algumas mulheres que mudaram diversas ópticas, tanto na arte, ciência, literatura e filosofia, fazendo história com suas visões revolucionárias.

 

Tarsila do Amaral (1886-1973): Tarsila Aguiar do Amaral por muitos é considerada a mulher pioneira no movimento “Antropofágico”, com traços e expressões nacionalistas e modernas bastante marcantes. Nascida em Capivari, São Paulo, a mesma foi uma pintora que possui obras de destaque internacional, como “Abaporu” (1928), “O Pescador” (1925), “Operários” (1933), entre vários outros. Em todas as fases artísticas da mesma, suas obras carregaram diversas críticas, principalmente à problemática das classes sociais e desigualdade, como é representado no quadro “Segunda Classe” (1933).

 

Marie Curie (1867-1934): Marie Skłodowska-Curie se tornou a cientista mulher mais reconhecida da história, sendo a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, e a primeira pessoa a ganhar duas vezes, nos ramos de Física e Química. Nascida na Polônia, a mesma se consagrou com seus estudos sobre a radioatividade e o polônio, auxiliando também na criação de diversos métodos médicos com suas descobertas, que são essenciais até os dias atuais. Foi casada com Pierre Curie, outro cientista importante da época

 

Hannah Arendt (1906-1975): Hannah Arendt foi uma filósofa judia que desde cedo mostrou sua inclinação à intelectualidade e política, tendo publicado obras como “Origem do Totalitarismo” e “Entre o Passado e o Futuro”. Em suas obras a mesma abordou temas como nazismo, totalitarismo, antissemitismo e direitos humanos, tendo sido também vítima da perseguição nazista. É autora da marcante frase: “Em nome de interesses pessoais, muitos abdicam do pensamento crítico, engolem abusos e sorriem para quem desprezam. Abdicar de pensar também é crime.”

 

Simone de Beauvoir (1908-1986): Simone Lucie-ErnestineMarie Bertrand de Beauvoir foi uma escritora, filósofa, professora e ativista feminista. Publicou obras como “A Convidada” (1943), “O Segundo Sexo” (1949) e “Memórias de uma moça bem-comportada” (1958). Nascida na França, Simone dedicou seus estudos em campos como igualdade de gênero e feminismo, e com suas ideologias progressistas sempre defendeu a liberdade feminina e direitos igualitários.

 

Frida Kahlo (1907-1954): Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón foi uma pintora focada em obras que traziam evidência à sociedade mexicana, com muitas paisagens, retratos e autorretratos. Como exemplo a obra “Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-Flor” (1940). Nascida no México, a mesma ganhou muito destaque por seus ideais feministas, tendo como o feminicídio o tema de uma de suas obras, intitulada “Umas Facadinhas de Nada”, traduzida de “Unos Cuantos Piquetitos” (1935).

 

Lélia Gonzalez (1935–1994): Lélia Gonzalez foi uma professora, filósofa, historiadora, política e autora ativista negra, sendo pioneira nas causas culturais negras no Brasil. Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, a mesma ganhou destaque na história brasileira como uma das primeiras mulheres a levantar a bandeira feminista afro-brasileira, ajudando a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU). A mesma escreveu diversos livros e artigos, como “Racismo e sexismo na cultura brasileira” (1983).

 

Tais mulheres mesmo diante de incontáveis dificuldades, ultrapassaram todas as barreiras e marcaram suas conquistas, inspirando diversas pessoas até os dias atuais, não sucumbindo à subalternidade ao masculino que tanto lhes foi imposta.

No mundo contemporâneo, a mulher conquistou bastante espaço para se expressar. Seja na música, em filmes, séries, na literatura, nas redes sociais e até em manifestações coletivas, mas é indubitável que muito ainda há de ser melhorado. Precisamos de mais mulheres na política, nas linhas de frente de estudos, detentoras do próprio corpo e da própria arte. Precisamos de mais mulheres onde elas queiram estar, com equidade e oportunidades reais, sem as amarras de pensamentos retrógrados e acorrentadas por uma sociedade com atitudes negligentes. Precisamos de mudanças, para que a mulher não mais seja vista como uma figurante em nossa comunidade, e principalmente em suas próprias vidas, mas sim como protagonistas, confiando em sua própria capacidade de conquistar o mundo.

Conforme coloca Simone de Beauvoir, em seu livro “O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida”:

No dia que for possível à mulher amar em sua força e não em sua fraqueza, não para fugir de si mesma, mas para se encontrar, não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia o amor tornarse-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal.”

 

Imagem de capa: Urania depicted by Giacinto Gimignani, 1852 via Wikimedia Commons

Sobre o(a) Autor(a)

Sophia Fonseca Chagas

Estudante do Ensino Médio no Institudo Federal Goiano. Amante de música e literatura. Adora boas discussões sobre temas atuais, enquanto banca a cantora nas horas vagas.
Publicado no Liceu Online por:

Cristian Junior

Mineiro metido a engraçadão, corinthiano e professor. Mestre em História pelo Programa de Pós Graduação em História da UFG. Tem experiência na área de História Política, com ênfases em História do Brasil Recente, Neoliberalismo no Brasil, Governo Collor (1990-1992), História da Imprensa e Charges e História. Como membro de grupos de pesquisa, atua nas áreas de Capitalismo e História e Filosofia Contemporânea.

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