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por Ivanilda dos Santos Miranda, especial para o LiceuOnline.

RESUMO

O presente trabalho visa compreender como os protestantes se portaram frente ao sistema escravista no Brasil Império, isto é, busca-se responder o questionamento de qual o vínculo do protestantismo com abolição da escravidão no Período Imperial, analisando suas ações diante da acrescência do movimento abolicionista brasileiro. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa é demonstrar através da análise de documentos e do periódico Imprensa Evangélica, o qual foi o primeiro jornal evangélico em língua portuguesa do país, que houve participação dos protestantes, residentes no Brasil, nas mobilidades pelo fim da escravidão. Procura-se evidenciar, desse modo, que o protestantismo, pelo menos parte dele, se posicionou, mesmo que timidamente no começo, contra a prática escravocrata. Essa avaliação se deu por meio de uma análise bibliográfica especializada sobre a temática em questão e pela sondagem realizada no jornal já mencionado. Para assim, comprovar que o protestantismo no Brasil, não esteve em uma posição omissa frente ao cenário escravocrata, no qual estava inserido.

 

Palavras-chave: Protestantismo; Escravidão; Imprensa Evangélica.

 

ABSTRACT

 

The present work aims to understand how Protestants behaved in the face of the slavery system in Imperial Brazil, that is, it seeks to answer the question of what is the link between Protestantism and the abolition of slavery in the Imperial Period, analyzing their actions in the face of the growth of the abolitionist movement brazilian. Thus, the objective of this research is to demonstrate, through the analysis of documents and the periodical Imprensa Evangélica, which was the first evangelical newspaper in Portuguese in the country, that Protestants, resident in Brazil, participated in the movements for the end of slavery. The aim is to demonstrate, in this way, that Protestantism, at least part of it, took a stance, even if timidly at first, against the practice of slavery. This assessment was carried out through a specialized bibliographical analysis on the topic in question and through a survey carried out in the aforementioned newspaper. In order to prove that Protestantism in Brazil was not in an omissive position in relation to the slavery scenario, in which it was inserted.

 

Keywords: Protestantism; Slavery; Evangelical Press.

 

INTRODUÇÃO

 

O protestantismo, conceito utilizado coletivamente para se referir a múltiplos grupos religiosos que se afastaram da Igreja Católica Romana por divergências na doutrina, surgiu de um movimento de reforma religiosa na Europa no século XVI, identificado como Reforma Protestante. A Reforma teve início na Alemanha, com o monge Martinho Lutero, e se expandiu para diversas nações da Europa.

Esse movimento protestante provocou variadas reflexões de caráter bíblico, litúrgico e teológico.  Mas mesmo considerando essas compreensões importantes, é relevante associar a Reforma Protestante a um aspecto histórico, pois foi um evento ou mesmo um aglomerado de acontecimentos, isto é, o começo do movimento protestante. Nessa perspectiva, o historiador Patrick Collinson afirma que “é inevitável que uma coisa tão ampla como a Reforma tenha sido considerada causa de muitas coisas […] é possível considerá-la causa de quase tudo o que quisermos” (Collinson, 2006, p. 229-230).

No Brasil, essa vertente religiosa se estabeleceu e começou a disseminar suas doutrinas a partir da fixação da Família Real, em 1808. Com isso, a vinda da Corte portuguesa para o país proporcionou transformações relevantes para a história religiosa do país, visto que a princípio o protestantismo experimentou um embate com a religião oficial do Estado, o Catolicismo. Desde então, os protestantes se mostraram ativos na sociedade brasileira, recebendo apoio principalmente do segmento liberal do país, certo que como defendiam a separação entre Igreja e Estado, conseguiram aprovação dos que compreendiam a influência da Igreja Católica como algo que dificultava o progresso do país.

O presente trabalho se centraliza na relação entre o protestantismo e o sistema escravista. Considerando que a estabilização definitiva dos protestantes no país, ocorreu durante o Império, sendo o regime vigente na época, a escravidão. Dessa forma, compreende-se que essa inserção se deu diante de um cenário servil. Porém, isso não pode ser compreendido como uma coincidência, visto que, essa introdução esteve associada direta ou indiretamente com sistema escravocrata, pois como se procurava, nesse momento, investir em mão de obra livre, a imigração foi a solução encontrada.

Este estudo procura, a partir deste contexto, compreender a participação do protestantismo nos processos abolicionistas no Período Imperial, e como se portou frente a escravidão, uma vez que pregava um evangelho que enfatizava o “amor ao próximo” e “não faças ao outro o que não quer que vos faça”. Assim sendo, o espaço geográfico priorizado na presente pesquisa, foi o Rio de Janeiro, uma vez que, nesse período, sediava a capital do Império, sendo, consequentemente, palco das negociações escravistas e ponto de chegada de inúmeros imigrantes protestantes.

O jornal Imprensa Evangélica, periódico este presbiteriano, também foi explorado como fonte para a efetivação deste trabalho, considerado o primeiro periódico evangélico do Brasil. Sua data de fundação se deu no ano de 1864, isto é, no Período Imperial, sendo seus fundadores alguns missionários presbiterianos, entre os quais, Ashbel Green Simonton, o qual foi um personagem de destaque. O jornal funcionou durante 28 anos, quando em 1892 fechou suas portas. Ademais, foi uma importante ferramenta para a disseminação da fé prestante na época, além de abordar notícias e questões sociais referentes ao Brasil e ao exterior.

 

1 A INSERÇÃO DO PROTESTANTISMO NO BRASIL E O SISTEMA ESCRAVISTA

 

1.1 Protestantismo e resistência Católica

 

Antes da consolidação do protestantismo em território brasileiro no Período Imperial, houve algumas tentativas de fixação no país, as quais não foram bem sucedidas. Uma das investidas mais notáveis e duradouras efetuou-se no Período Holandês, quando cidadãos reformados da Holanda invadiram o Nordeste brasileiro. Esses, além da questão religiosa, apresentavam um considerável interesse econômico, e consequentemente comercial na região nordestina, que estava nesse período, sob o domínio do holandês Maurício de Nassau, buscava o controle sobre o mercado açucareiro do Nordeste. Com isso, esses primeiros protestantes residentes no Brasil, procuraram continuar com suas práticas religiosas, e, ao mesmo tempo, se empenharam na ação de introduzir sua fé na vida dos habitantes locais. Desde então procuram instaurar uma sociedade protestante no país.

A princípio, o projeto dos reformadores obteve êxito, visto que permaneceram nas regiões nordestinas por um espaço de tempo considerável, mas especificamente quinze anos. Dessa forma, de 1630 a 1645, Pernambuco e demais áreas do Nordeste adotaram a fé protestante (Mendonça, 2008). No entanto, com a retirada desse grupo do Brasil, provocada pelos portugueses, a permanência do protestantismo foi impossibilitada, certo que o Catolicismo era considerado a religião oficial da colônia, não aceitando, assim, a presença de outras expressões religiosas.

Com essa barreira imposta, o protestantismo permaneceu ausente no Brasil até a vinda da Família Real em 1808. A presença da Corte invalidou a proibição de estrangeiros em território brasileiro, possibilitando, assim, o contato político, cultural e comercial com outras nações. Desse modo, isso só foi possível com a abertura dos portos aos navios das nações amigas, no mesmo período da sua chegada, isto é, em 1808. Com isso, o ato de importar e exportar foi concedido à colônia. Dois anos mais tarde, em 1810, D. João VI sela os tratados de comércio e navegação com a Inglaterra. Esse acordo concedeu a permissão de culto aos ingleses e a liberdade religiosa aos não adeptos ao Catolicismo presentes no Brasil (Reily, 1984).

No entanto, essas concessões foram parciais, pois a liberdade concedida aos protestantes foi notadamente limitada. Nesse sentido, a realização de culto era permitida pela Coroa, porém só podiam ser efetuados no ambiente íntimo dos fiéis ou em capelas que não remetessem a formas de templos religiosos. Além disso, “estavam proibidos de pregar ou declarar publicamente contra a religião católica, ou procurar fazer prosélitos, ou conversões de portugueses residentes no Brasil e de nacionais” (Silva, 2010, p. 45). Mas é com essas relativas concessões que a Igreja Católica foi perdendo um pouco do seu domínio, possibilitando assim, a entrada e estabilização, mesmo que tímida, do protestantismo no Período Imperial por meio do processo imigratório.

Com a abertura dos portos[1], surge a possibilidade de imigração para o Brasil. Assim sendo, o século XIX presenciou uma onda migratória, em que muitos imigrantes vieram em busca de melhores oportunidades de vida e de trabalho no território brasileiro. No entanto, isso só foi possível por meio da pressão exercida pela Grã-Bretanha ao Império, para o fim da ação do tráfico de escravos, através do tratado de amizade e aliança, que “proibiu os súditos do príncipe regente de continuarem com o tráfico de escravos de qualquer parte da África, exceto das atuais possessões da coroa portuguesa naquele continente” (Reily, 1984, p. 25).

Essa exigência imposta implicou no provimento da força de trabalho escravista, provocando o decrescimento de mão de obra escrava. Diante disso, houve a necessidade de novas formas de sistematização de trabalho, o que fez com que começasse a pensar na transição do trabalho escravo para o livre. Essa transformação promoveu, consequentemente, o estímulo à imigração no Período Imperial.

Dessa forma, foi diante desse cenário imigratório que o protestantismo voltou a se inserir no Brasil. Protestantes de várias nacionalidades, trouxeram dentro de suas bagagens a convicção de sua fé, começaram a chegar e se estabilizar no Brasil Império. Assim, aproveitando a recente e relativa tolerância religiosa e a reafirmação das concessões de liberdade de crenças, embora restritas, na Constituição de 1824, procuraram praticar e conservar a sua religiosidade nos limites concedidos. Nesse sentido, Antônio Gouvêa escreve:

 

Até 1824, ingleses, alemães, suecos e americanos foram chegando e vivendo sua fé conforme a situação lhes permitia. Os ingleses e os americanos constituíam comunidades religiosas fechadas à sociedade brasileira, ao passo que os alemães e suecos, pela falta inicial de assistência religiosa, foram sendo absorvidos pela sociedade abrangente ao ponto de grande parte deles abandonar a antiga fé. Há algumas referências à presença de comerciantes escoceses, suecos e dinamarqueses, principalmente no norte do Brasil, mas de curta permanência, sendo provável ter havido entre eles numerosos protestantes (Mendonça, 2008, p. 20-21).

 

Assim sendo, percebe-se a diversidade geográfica dos protestantes vindos para o Brasil, que se estabeleceram em diversas regiões do Império, principalmente no Rio de Janeiro. Cidade em que foi construído e inaugurado, em 1822 pelos anglicanos, o primeiro local de culto protestante, em tempos modernos, no Brasil (Reily, 1984).

No decorrer dos anos do Período Imperial, vários missionários protestantes, que foram ativos e que se destacaram durante sua estadia no país, desembarcaram em portos do Rio de Janeiro. O Rev. Fountain E. Pitts foi o primeiro missionário metodista a chegar na cidade, Robert Reid Kalley, cujo objetivo era obter um relacionamento saudável com os brasileiros, e assim alcançar adeptos entre eles, e o Rev. Ashbel Green Simonton, fundador da igreja Presbiteriana do Brasil, escolheram o Brasil, mais especificamente a cidade fluminense, como campo missionário.

Diante desse contexto, a imigração protestante que ocorreu no Brasil no período em questão, pode ser fragmentada em dois grupos distintos, podendo ser conceitualizados como Protestantismo de Imigração e Protestantismo de Missão. O de imigração, é compreendido como aquele que procura a preservação da cultura e do seu idioma de origem, o qual “se desenvolveu a partir do movimento imigratório que marcou o século XIX, seguindo as ondas de intensidade e retração” (Ribeiro, 2008, p. 55). Nesse sentido, Wanderley Pereira Rosa, também evidencia que o Protestantismo de Imigração é identificado como tal, por possuir um caráter étnico e cultural prendido às raízes europeias (Rosa, 2017).

A presença desses missionários imigrantes tornou-se notável na sociedade brasileira, vieram principalmente dos Estados Unidos, nação predominante protestante. Nesse sentido, muitos deles se deslocaram da região Sul do país. Esse processo imigratório se sucedeu, após a Guerra de Secessão, que se desencadeou a partir do conflito entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos, pela questão do escravismo, entre os anos de 1861 a 1865. Em que a região Sul defendia a permanência da escravidão, enquanto o Norte pregava o fim dela. Dessa forma, Duncan Alexander Reily (1984), afirma que a religião e a população norte-americana ficaram seriamente segmentadas devido à questão escravista.

A chegada dos missionários protestantes, principalmente de origem estadunidenses, apesar da resistência da Igreja Católica, foi aclamada pela elite brasileira, pois no período que adentraram no Brasil, a ideia e o desejo de modernização já estavam começando a ganhar força, uma vez que ansiavam transformar o país nos moldes das nações modernas. Com isso, a inserção do protestantismo no país, principalmente o norte-americano, recebeu apoio e incentivo de políticos e intelectuais liberais brasileiros, pois os Estados Unidos já haviam obtido sua independência em 1776, e assim, era considerado referência naquele momento. Diante disso, esses imigrantes protestantes estadunidenses que estavam chegando no país, eram considerados pela elite liberal, como indivíduos que, de alguma forma, subsidiam o processo modernizador desejado para o Brasil. Nesse sentido, Wanderley Rosa, comenta:

 

[…] Ora, os protestantes eram aqueles situados na vanguarda desses movimentos liberais–sobretudo, nos Estados Unidos–que, do ponto de vista político, social e econômico, eram considerados por essas classes o que havia de mais avançado para a época. Assim, os primeiros missionários evangélicos receberam um explícito apoio de políticos e intelectuais brasileiros que, acrescente-se, irmanavam também nas lojas maçônicas (Rosa, 2017, p. 185).

 

Nessa perspectiva, pode-se observar que esses protestantes imigrantes não intimidavam a Igreja Católica só pela questão religiosa, mas também pelos aspectos liberais e modernizador que estavam contidos nas suas nações de origem, tanto os oriundos dos Estados Unidos e também da Europa, certo que esses princípios desembarcavam juntamente com eles nos portos brasileiros. Com isso, eram considerados um perigo consistente ao fundamento eclesiástico católico e ao seu predomínio religioso no Brasil.

Sendo assim, mesmo diante de empecilhos e perseguições, os protestantes conseguiram se estabilizar no país. Isso foi possível por meio da persistência e da ação missionária.

 

1.2  A questão escravista no Rio de Janeiro no Período Imperial brasileiro

 

O espaço geográfico da pesquisa consiste no estado do Rio de Janeiro. Isso porque a referida província foi ponto de chegada de muitos protestantes imigrantes, que se estabilizaram e empreenderam suas missões evangelísticas. Além disso, no período que se sucedeu o império brasileiro, a cidade era a Capital Federal do país. Logo, tornava-se o núcleo do desenvolvimento e das discussões referente ao sistema escravista.

Assim sendo, com a chegada da Família Real em 1808 no Brasil, o Rio Janeiro sofreu os impactos da intromissão da realeza no território brasileiro. Desse modo, a Corte, objetivando transformações e desenvolvimento para o país, D. João VI visou conquistar mão de obra necessária para o Império, o que provocou o requerimento de mais escravos e, consequentemente, o aumento da comercialização de humanos coisificados. Nesse sentido, a “data de 1808 marcou o começo do significativo tráfico africano para o Rio de Janeiro, que trouxe tantos negros do Centro-Oeste Africano para a cidade” (Karasch, 2000, p. 29).

Dessa forma, com o aumento do tráfico de escravizados, a população do Brasil Imperial ampliou consideravelmente a partir de 1808, a qual era formada, quase por sua metade, por indivíduos escravizados. A sociedade do Rio de Janeiro sentiu esse acréscimo, uma vez que os estrangeiros ao adentrar na capital do Brasil, tinham a impressão de ter chegado na África, pela quantidade de negros africanos nas ruas da cidade (Karasch, 2000).

Além dos traficantes de escravizados, essa crescente população africana escravizada também pode ser considerada resultado do interesse econômico da Corte portuguesa. Havia uma relação de dependência entre a realeza e os negociantes de escravos. O Estado era considerado por esses como seu mais importante cliente individual, o que o colocava, na fila dos que se interessavam pela sustentação do sistema escravista, em uma posição privilegiada. Nesse sentido, para Tâmis Parron (2009) talvez não seja absurdo afirmar que foi o governo joanino, e não os fazendeiros, quem executou o papel principal de parceiro dos traficantes entre 1808 a 1820.

Esse tráfico transatlântico de escravizados africanos, no Brasil, vinha ganhando proporções significativas desde o século XVI. Com isso, sendo, o país, um dos maiores consumidores do escravagismo, Alencastro (2018) o considerou como o maior importador de cativos africanos das Américas, nos períodos que seguem o Colonial e o Imperial, mas especificamente, até 1850. Além disso, comenta que o Estado brasileiro, foi a única nação que, após conquistar sua Independência, continuou alimentando o sistema escravocrata, isto é, o tráfico negreiro. Convertendo, desse modo, o território nacional, no mais notável sócio político escravista americano. Nesse sentido, a forma de organização governamental do império, o aumento da importação de escravizados vindos da África após 1822, elucida a durabilidade da prática do escravismo até sua abolição (Alencastro, 2018).

Essa resistência ao fim da abolição não foi sentida somente no império brasileiro, mesmo alguns países no século XIX obtendo a libertação do sistema escravocrata, outras duas regiões, isto é, Cuba e o sul dos Estados Unidos, também se mantiveram persistentes a conservação do regime escravista, permanecendo assim, sem mudanças às emancipações. Longe de cogitar a abolição da escravidão, esses três territórios procuraram meios para melhor desenvolver a prática da servidão.

No Brasil o processo para o fim da escravidão se sucedeu gradativamente e com certa resistência. Isso porque o escravismo era uma chave importantíssima na sociedade brasileira, muitos setores sociais estavam implicados imparcialmente com a exploração da mão de obra escrava. Nesse sentido, para Júlio Veloso e Silvio Almeida:

 

Uma marca decisiva da escravidão no Brasil, responsável por sua longevidade, resiliência, perversidade e capacidade de prolongar aspectos de sua cultura para além da abolição, está relacionada a este fato: amplissimas parcelas da população brasileira vincularam a reprodução de suas formas de vida à exploração do trabalho escravo. Foi somente quando esta realidade se desfez, quando processos econômicos levaram à concentração da propriedade escrava nas camadas mais ricas e na região sul do Brasil que a escravidão perdeu a hegemonia (Veloso; Almeida, 2019, p. 2143).

 

Assim, as ideias pregadas pelo movimento abolicionista eram duramente repreendidas pelos senhores escravocratas. A Lei do Ventre Livre, em 1871, que defendia uma abolição gradual, foi considerada como “um atentado, um roubo, um esbulho, uma inspiração comunista […]. Acusou-se o governo de estar comprometendo seriamente o futuro da nação” (Carvalho, 2010, p. 94). Assim sendo, as discussões referentes a abolição final veio se concretizar pela Lei Áurea de 1888, visto que antes a liberdade almejada pelos escravizados só pode ser concedida pelos seus donos, pelas instituições de caridade ou pessoas solidárias que se compadeciam com as condições que os cativos eram submetidos (Karasch, 2000).

 

2 IMPRENSA COMO FERRAMENTA MISSIONÁRIA

 

2.1 Utilização da imprensa na ação evangelística

 

           A estabilização e o assentimento do protestantismo em território brasileiro por uma parte da população, foram possíveis principalmente pelo uso da imprensa. Ela foi muito bem manejada por imigrantes protestantes que possuíam um desejo expressivo em fazer missão, isto é, espalhar o evangelho a lugares que eram impossibilitados de irem. Dessa forma, assim como a introdução do protestantismo no país foi possível a partir da chegada da Família Real em 1808, a imprensa também surgiu nesse contexto, visto que até então, as tipografias eram consideradas ilícitas no Brasil. Com isso, se alguém fosse rebelde ao que se refere a essa restrição, era severamente punido.

Diante disso, Tânia De Luca (2005, p. 133) relata que o primeiro jornal legalmente impresso em território brasileiro foi A Gazeta do Rio de Janeiro, fundado pelo Estado em setembro de 1808, o qual tinha a função de informar a população acerca das ações do governo e trazer informações do exterior. No entanto, as notícias eram analisadas e filtradas antes de serem expostas nas páginas do referido jornal. Silvestre (2016) confirma isso quando menciona que os governos e os poderosos que consumiam e temiam a imprensa, tratavam os jornais com bajulação, vigilância, controle ou com punição.

              É diante desse cenário de iniciação da imprensa no Brasil, durante o século XIX, que surge o jornal Imprensa Evangélica, fundado por alguns missionários protestantes estadunidenses, circulou entre 1864 a 1892, quando foi encerrado. Dessa forma, considerando que o periódico em questão foi primeiro jornal evangélico difundido no país, e que o mesmo contempla o espaço temporal abordado da presente pesquisa, ele foi mobilizado como uma das principais fontes para realização deste trabalho.

O periódico possui como fundador o missionário norte-americano Ashbel Green Simonton, que veio para o Brasil em 1859 com o auxílio da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América. Simonton buscou inspiração nos formatos de jornais de seu país de origem para fundar o referido periódico. Envolvido com a obra missionária, participou do processo de instauração, em 1862, da primeira Igreja Presbiteriana no país, sendo ele um membro ativo da denominação.

O editorial foi um importante meio de propagação do protestantismo e de seus princípios. Muitos brasileiros só conseguiram obter o acesso ao conhecimento do Evangelho, ou seja, da Bíblia e da doutrina protestante, a partir da circulação de impressos disponibilizados pelo jornal Imprensa Evangélica (Santos, 2018).

Dito isso, e compreendendo a contribuição do jornal Imprensa Evangélica para a inserção do protestantismo no Brasil, buscou-se explorá-lo para a realização desse trabalho, isto é, por meio dele procurou-se entender a relação do protestantismo com a abolição da escravidão no Período Imperial. Para isso, foi catalogado no periódico, em todos os seus anos de publicações, os discursos, opiniões e outras informações relacionadas ou proferidas pelos protestantes ao que se refere ao sistema escravista brasileiro. Dessa forma, encontrados esses informes, entrou-se no processo de análise, considerando os pontos principais, ou seja, o protestantismo e o sistema escravista.

A partir disso, foi organizado e selecionado as publicações que evidenciavam, de alguma forma, a posição dos protestantes frente a escravidão no Período Imperial. Assim, o tópico seguinte evidenciará os resultados encontrados a partir da análise do editorial Imprensa Evangélica ao que se refere a relação do protestantismo com o sistema escravista, mas especificamente com a abolição da escravatura.

 

2.2 Imprensa Evangélica e o sistema escravocrata 

 

Os protestantes, como já mencionado, ao chegarem no Brasil não se limitaram diante das dificuldades e perseguições encontradas. Com isso, alguns buscaram meios para driblar os obstáculos postos ao protestantismo, por exemplo, a fundação do jornal Imprensa Evangélica em 1864, o qual foi utilizado para manifestar a fé protestante.

Observando a data de fundação do editorial, percebe-se que coincide com o momento em que o país estava vivenciando o surgimento de alguns movimentos contrários a escravidão, ou seja, os debates abolicionistas estavam começando a ganhar força. Isso porque no final dos anos de 1860 e início da década de 70 já se apontava uma concepção sobre o fim do regime escravista, “sendo sua extinção apenas uma questão de forma e oportunidade. […]. Abriu-se um período que se caracterizou pela propaganda abolicionista propriamente dita” (Azevedo, 1978, p. 88). Diante disso, ao se analisar o periódico pôde-se observar como ele, e consequentemente os protestantes residentes na cidade do Rio de Janeiro, se comportaram em relação ao sistema escravocrata frente a esse cenário contrário ao regime servil.

Assim como o Imprensa Evangélica, o protestantismo também ainda estava em processo de aceitação e acomodamento quando as discussões referentes ao fim da escravidão começaram a ser pautas em alguns seguimentos da sociedade brasileira. Os protestantes nesse momento pertenciam a uma pequena parcela da população, isto é, ainda estavam buscando a estabilização no país. Nessa perspectiva, Hélio de Oliveira (2010) afirma que as igrejas, por serem ainda pequenas e estarem localizadas, muitas vezes, em cidades exíguas, não tinham estrutura e nem um julgamento político considerável para impor sua análise sobre a política do escravismo do país. Sendo assim, esse grupo, e do mesmo modo o jornal, não haviam, até então, conquistado influência suficiente para se expressarem de forma satisfatória ou se posicionarem sobre algumas temáticas pertinentes a sociedade Imperial, como a abolição da escravidão no Brasil.

Com isso, mesmo o editorial possuindo desde sua fundação um posicionamento sobre o sistema escravocrata, uma vez que Simonton, o principal editor e fundador do jornal, tinha uma postura contrária ao exercício da mão de obra escrava no país. Porém, preferiu ser omisso a essa questão nas suas publicações em um primeiro momento. Pedro Henrique Medeiros torna isso evidente quando menciona que:

 

De fato, Ashbel Simonton nutria esse horror pela escravidão e torceu pelo fim da opressão “demoníaca” em seu país de origem. Ao estourar a Guerra Civil nos Estados Unidos, ele registrou: “Creio também que não será esperar demais prever o começo do fim da escravidão. Se ao menos essa mancha puder ser removida, esse íncubo retirado do corpo da nação, mesmo que com longa demora até ao fim do processo, teremos obtido grande vitória (Medeiros, 2020, P. 54).

 

 

Dessa forma, é perceptível a aversão que Simonton sentia sobre a prática escravista. No entanto, mesmo com repúdio a esse sistema, ele “se mostrou cauteloso quanto à exposição pública de suas ideias antiescravistas no Brasil, especialmente após seu retorno aos Estados Unidos, em meados de 1863” (Silva, 2010, p. 51). Isso leva a compreender a notável ausência nas páginas, nos primeiros anos de publicações do Imprensa Evangélica, de registro sobre a escravidão brasileira que evidencie o posicionamento de afirmação ou de contrariedade dos protestantes sobre a quadro escravocrata do Brasil imperial.

Portanto, o jornal permaneceu neutro em relação às questões sociais do Brasil por um período considerável de tempo. Por isso, é compreensível que não se encontrará, nas primeiras edições do periódico, a temática da escravidão. Somente em 1871, isto é, 7 anos depois da sua fundação, que o Imprensa Evangélica, pela primeira vez, evidenciou nas suas páginas, mesmo que timidamente, o tema escravista, objetivando louvar a promulgação da Lei Ventre Livre (Medeiros, 2020).  Com isso, é notável que o pronunciamento do periódico sobre o sistema escravocrata brasileiro se deu tardiamente, uma vez que em anos anteriores o movimento antiescravista já tinha obtido algumas conquistas, como as leis que vinham sendo estabelecidas desde 1850, que desestabilizava, embora que pouquíssimo, o sistema escravocrata. Mas mesmo assim, essas não foram pautadas nas publicações do jornal.

Passado a década de 70, os anos de 1880 foram decisivos para o Imprensa Evangélica na missão contra o sistema escravista, certo que a partir desse momento as publicações que abordavam a temática da escravidão aumentaram, e se mostravam cada vez mais a favor do movimento abolicionista. Nesse período foi notável o acréscimo de propaganda de inconformidade ao regime servil, uma vez que na referida década houve uma maior pressão nas ruas e na imprensa, além da resistência dos escravizados (Paixão, 2019).

Assim, esse patente posicionamento antiescravista do periódico pode ser resultado da popularização que as ideias antiescravocratas alcançaram nesse momento da sociedade Imperial. Além disso, as edições da década de 80 manifestaram que os dirigentes nacionais do presbiterianismo estavam mais interessados e menos receosos em debater sobre as questões sociais brasileiras (Medeiros, 2020).

O ano de 1884 foi consideravelmente significativo nessa nova fase do periódico, uma vez que muitos artigos, trazendo a temática da escravidão, ganharam espaço nas suas edições.  Nessa perspectiva, em 24 março, o Imprensa Evangélica trouxe comentários sobre o livro “O Abolicionismo” do Sr. Nabuco, o recomendando como leitura a todos os que amam e desejam o progresso do país, pois entendiam que o sistema escravocrata era um empecilho para o desenvolvimento do Estado. Assim, declaravam que a conjuntura da escravidão no país necessitava de um ponto final. Nesse sentido, a abolição é considerada pelo jornal como algo relacionado a moral e um ressarcimento do crime hediondo e secular da escravidão. Do mesmo modo, é julgada como um restabelecimento da dignidade nacional.

Assim, o jornal continua publicando, em 1884, artigos que demonstram um claro posicionamento antiescravista. Em 12 de abril, desse mesmo ano, o editorial comemorou a emancipação do regime escravocrata no Ceará e não deixou de expressar que o estado realizou a primeira ação que conduziria para o fim do regime escravista no país. Desse modo, o jornal celebrou: “não há ainda muitos dias que em uma Província foi abolida a escravidão, pelo que ainda enchem os ares da pátria as expansões de regozijo de um povo inteiro, e bem longe ecoarão para atestarem a energia e o heroísmo dos brasileiros” (Imprensa Evangélico, 1884, n.° 7, p. 51).

Essa publicação possui uma considerável importância, pois ao noticiar esse ocorrido positivamente, o jornal se autodeclara abolicionista, uma vez que além de comunicar, evidenciou um debate sobre a escravidão. Assim, para Gabriel Paixão (2019) esse foi um meio utilizado pelo editorial para propagandear as conquistas do movimento abolicionista, “dando uma notícia sobre a qual o periódico poderia até mesmo se calar por não ter como foco a política, e sim a religião” (Paixão, 2019, p. 72).

Nessa perspectiva, Pereira (1886) alerta que mesmo que as leis do país permitam que o cristão possa possuir escravos, elas são nulas diante da lei de Deus, não sendo assim, inválidas para os fiéis. Dessa maneira, percebe-se que o jornal visou mostrar e orientar aos prestantes a contrariedade dessa prática com o evangelho. Além de evidenciar seu descontentamento com esse sistema vigente.

Dessa forma, a escravidão foi considerada uma violação as leis de Deus e do Evangelho, visto que a entendia como uma injustiça monstruosa, pois tirava o direito mais sagrado do ser humano, isto é, a liberdade pessoal. Com isso, Carlos Pereira (1886) concordava com a disciplina de todos os membros das igrejas que permanecessem infringindo as leis sagradas, ou seja, que continuassem sendo praticantes dessa grave injustiça. Isso porque Pereira compartilhava da mesma concepção de James Theodore, o qual afirmava que “as leis que o Divino Legislador estabeleceu para o governo de seu reino são leis de justiça e de benevolência  universal, e que não se conformam com nenhum sistema de tirania e opressão” (Houston, 1884, p. 15).

Assim como o Imprensa Evangélica, Lessa (1938) registrou o solene protesto de Eduardo Carlos Pereira na Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana pelo Presbitério do Rio Janeiro, ocorrido em 1887, contra o regime escravocrata. Lessa descreve que o presbitério discursava sobre o desejo da libertação do Brasil do sistema servil. Da mesma forma, o jornal evidenciou uma parte desse discurso, enfatizando a contrariedade da Igreja Presbiteriana com a escravidão. Assim, nas palavras de Carlos Pereira, o periódico descreve:

 

Nós com certeza simpatizantes somos ternamente com as partes de nosso país a que tem sido vinculado o mal da escravidão; onde uma grande parte da comunidade e a mais virtuosa abomina a escravidão e deseja o seu extermínio tão sinceramente como qualquer outra (Imprensa Evangélica, 1887, n.° 14, p. 109).

 

Diante disso, o Imprensa Evangélica não foi apenas um espectador do cenário escravista do Período Imperial, como afirma José Carlos Barbosa (2002), que defende que os missionários protestantes não se posicionaram em favor da abolição da escravatura no Brasil. Argumentando, da mesma forma, que somente após a expansão do movimento abolicionista que esses se manifestaram contrário ao regime, ação essa tomada por conveniência. No entanto, essa ausência do posicionamento protestante nos seus primeiros anos no país, se justifica pela pouca ou nenhuma influência que o protestantismo possuía no Estado. Além disso, Hélio de Oliveira Silva (2010) sustenta a hipótese de que os missionários não se manifestaram contra a escravidão, em um primeiro momento, para não prejudicar o sucesso missionário, que já sofria as retaliações da Igreja Católica.

Assim, no princípio, o jornal teve em vista tratar a temática timidamente, respeitando os limites estabelecidos para não prejudicar a recente introdução do protestantismo no Brasil. Com um posicionamento antiescravista, o jornal, pouco tempo depois, começou a discutir de forma crítica a escravidão, considerando e observando os princípios do Evangelho de Cristo pregado pelo editorial. Sendo o ano de 1884 marcador dessa guinada abolicionista (Medeiros, 2020). Isso porque, conforme a análise desta pesquisa, 70% das edições publicadas pelo periódico nessa década, trouxeram a temática da escravidão, a expondo de uma forma negativa, como um mal a ser eliminado da sociedade brasileira.

Dessa forma, os protestantes, residentes no Rio de Janeiro, envolvidos com o jornal Imprensa Evangélica, assentiram com as ideias abolicionistas, apoiando o fim da escravidão brasileira. Usaram as páginas do editorial nas décadas de 70 e 80 para defenderem o fim da mão de obra escrava. Embora não tenha realizado uma propaganda direta contra a escravidão, mas mostrou um consciente posicionamento antiescravista, defendendo a abolição desse sistema opressor que nada condizia com Cristianismo. Nesse sentido, a relação do jornal com o sistema escravista foi de desaprovação, visto que não foi condizente com o mesmo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O protestantismo iniciou seu processo de implementação definitiva no país, a partir da segunda metade século de XIX, com uma notável participação da Coroa portuguesa, enfrentando, depois disso, uma sociedade consideravelmente católica, o que levou, consequentemente, a uma estabilização conflituosa tanto no âmbito social quanto no espiritual. Assim sendo, seu principal objetivo, a princípio, era conseguir adeptos à fé protestante, para isso buscou-se investir na obra missionária. Dessa forma, a imprensa foi observada, pelos protestantes, como uma relevante estratégia  para a realização desse objetivo.

Nesse sentido, como a presente pesquisa constatou, surgiu o Imprensa Evangélica (1864–1892), o qual foi utilizado, principalmente, para a disseminação do evangelho, e para tratar de questões sociais e políticas relacionadas ao Brasil e ao exterior. Por intermédio do periódico os protestantes conseguiram aceitação por uma parte considerável da população brasileira, até mesmo entre alguns líderes da Igreja Católica, novos fiéis foram alcançados, e os mesmos conseguiram ser ensinados e auxiliados através das publicações do jornal. Assim, com a ação do periódico, boa parte da população pôde conhecer o ideário protestante (Santos, 2018).

Como revelou o estudo, o periódico em muitas de suas edições criticou a escravidão e principalmente, as leis abolicionistas deficitárias, as quais mais favoreciam aos escravocratas que as vítimas da escravidão. Assim, o Imprensa Evangélica protestou e se indignou contra a prática escravista do país, não se mostrou passivo ao cenário que tanto infringiu o maior mandamento da Bíblia — livro esse considerado de grande relevância para os protestantes e consequentemente muito enfatizado no periódico —, isto é, “amar o próximo como a si mesmo”, significando não fazer ao outro o que quer que vos faça.

Dessa forma, o protestantismo residente no país, pelo menos parte dele, esteve desde o início, embora timidamente no começo devido às dificuldades na sua inserção, simpático ao movimento abolicionista e manifestou isso de forma pública tanto na pregação de sermões nas suas igrejas como no jornal Imprensa Evangélica. Além disso, acredita-se que seu envolvimento contra a escravidão não foi mais extenso pelas circunstâncias e limitações na sua introdução no Brasil.

 

REFERÊNCIAS:

ALENCASTRO, Luiz Felipe. África, números do tráfico de escravos. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz; GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e da liberdade: 50 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

 

AZEVEDO, Célia M. M. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites do século XIX. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

 

BARBOSA, José Carlos. Negro não entra na Igreja espia pela banda de fora: protestantismo e escravidão no Brasil Império. Piracicaba: Editora UNIMEP, 2002.

 

CARVALHO, Vinck Vitório Ribeiro de. A formação da identidade protestante brasileira em diálogo com a escravidão negra. 2010. 218 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Centro de Ciências Sociais Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

 

COLLINSON, Patrick. A Reforma. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.

 

DE LUCA, T. R. História dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, C. B. (org.). Fontes Históricas. São Paulo; Contexto, 2005.

 

HOUSTON, James Theodore. O Christianismo e a Escravidão. Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger & Filhos, 1884.

 

IMPRENSA EVANGÉLICA. Rio de Janeiro, semanal, 1864-1892. Disponível em: http://bndigital.bn.br/acervo-digital/imprensa-evangelica/376582. Acesso em 10 de nov/abr. 2023/2024.

 

KARASCH, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850). (Trad. Pedro Maria Soares). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

 

LESSA, Vicente Themudo. Annaes da 1ª Igreja Presbyteriana de São Paulo – 1863-1903. São Paulo: 1ª IPI de São Paulo, 1938.

 

MENDONÇA, Antonio Gouvêa. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: EDUSP, 2008.

 

MEDEIROS, Pedro Henrique. Por Cristo e pela Pátria Brasileira: Abolicionismo, Laicidade e Conservadorismo na Imprensa Protestante Oitocentista (1880-1904). 2020. Instituto de Ciências Humanas e Sociais Curso de Pós-graduação em História, 2020.

 

PARRON, Tâmis Peixoto. A política da escravidão no Império do Brasil, 1826-1865. (Tese de Mestrado em História). Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2009.

 

PAIXÃO, Gabriel Santos. Jornal Imprensa Evangélica e sua postura diante da escravidão. Dissertação de mestrado- Universidade Salgado de Oliveira. Niterói, p. 1-112, p. 2019.

 

PEREIRA, Eduardo Carlos. A Religião Christã em suas relações com a Escravidão. São Paulo: SBTE, 1886.

 

Reily, D. A., História Documental do Protestantismo no Brasil, Aste, 1984.

 

ROSA, Wanderley Pereira. Implantação do Protestantismo no Brasil: aspectos sociais e políticos. REFLEXUS-Revista de Teologia e Ciências das Religiões, Espírito Santo, v. 11, n. 17, p. 180-201, jan, 2017.

 

SANTOS, S. Daniel. O jornal Imprensa Evangélica e as origens do protestantismo brasileiro no século XIX. 2018. Tese (Doutorado em letras) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2018.

 

SILVA, Hélio de Oliveira. A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão: breve análise documental. Fides Reformata, São Paulo, v. XV, nº 2, p. 43-66, 2010. Disponível em: <http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/Fides_Reformata/03_IPB_Escravid ao_Analise_Documental.pdf> . Acesso em: 03 de mar. 2023.

 

SILVESTRE, Armando Araújo. Os Jornais Evangélicos e a formação da mentalidade protestante no Brasil. Reflexão , Campinas, vol. 41, n°. 2, p. 165-178, jul./dez, 2016.

 

 

 

[1] A abertura dos portos no Brasil ocorreu logo após a chegada da Coroa portuguesa, em 1808. Objetivando com isso, a comercialização de produtos estrangeiros no território brasileiro, uma vez que desde o início da colonização, em 1500, havia o Pacto Colonial, o qual proibia o Brasil de comercializar com outros Países, permitindo a comercialização somente com Portugal. Dessa forma, a abertura dos portos quebrou com esse monopólio português sobre o comércio brasileiro, o que possibilitou a entrada de outros produtos no mercado do país. Além disso, essa medida proporcionou a entrada de imigrantes não portugueses no Estado.

 

 

Imagem de capa: https://www.christianitytoday.com/. 

Sobre o(a) Autor(a)

Ivanilda dos Santos Miranda

Graduada em História pela Universidade Estadual do Piauí (2024). Especialista em Teologia e História das Religiões pela Faculdade Venda Nova dos Imigrantes (2024). Atualmente é professora da Escola Honorina Rodrigues Machado da cidade de Caxingó (PI).
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Edição - Liceu Online

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