Depois de brilhar com uma atuação magistral na tragicomédia “Sonhar com leões”, Denise Fraga empresta seu talento a outra produção que lhe exige bastante, mas que tem bem menos a oferecer em termos de roteiro. “Livros restantes” parte de uma boa premissa: prestes a se mudar de Florianópolis para Lisboa, a professora Ana Catarina se impõe a missão de devolver cinco livros a pessoas que foram especiais em algum momento de sua vida e por isso haviam escrito dedicatórias que a marcaram. De início, mostra-se inteligente a opção da diretora Marcia Paraiso de pular de um primeiro almoço muito efetivo e repleto de carinho com uma amiga legal para um encontro seguinte que não se realiza, com a destinatária do livro que claramente estava evitando a protagonista, separada dela por escolhas de vida muito distintas e plausíveis. Os melhores momentos do filme são esses em que os simples diálogos entre os personagens já permitem ao espectador inferir informações sobre o passado e o presente de ambos. Infelizmente, não demora para que a diretora e roteirista abandone esse modus operandi para se centrar em outros conflitos bem menos interessantes e com ar meio novelesco, envolvendo o irmão, a mãe e a filha de Ana. Nessas cenas, com diálogos e encenação muito duros e quase cafonas, o filme decai bastante, e vai se recuperar só nos minutos finais, com a retomada da premissa original numa ótima cena que se beneficia da atuação do grande Augusto Madeira como o ex-marido da protagonista. Parece nítida a preocupação da diretora de conferir uma ambientação autêntica à história passada em Florianópolis, fazendo justiça ao modo de vida local moldado pelo mar, à prosódia característica, às distinções entre os bairros, e até na crítica aos engarrafamentos constantes, entre outros aspectos que quem já foi a Floripa sabe. Mas fica a impressão de que falta foco ao longa, que talvez se resolvesse melhor como um curta.
Nota:2,5/5









