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por João Paulo Capelotti, especial para o LiceuOnline.

Exibido dentro da programação da 43ª Oficina de Música de Curitiba, como homenagem à trilha sonora orquestrada por Bernard Herrmann, “Intriga internacional” tem, de fato, um belo trabalho do compositor, que criou um eficiente tema romântico, além de melodias rápidas que acompanham as cenas de ação. Herrmann também demonstra saber com exatidão os momentos que funcionariam melhor sem trilha, como na cena mais conhecida do filme, quando Cary Grant é perseguido por um avião num descampado. Mas, acima de tudo, o compositor parecia compreender o caráter meio cômico da história um tanto rocambolesca, ao imprimir na trilha um certo ar de galhofa. Hitchcock confessou mesmo que depois do soturno e denso “Um corpo que cai” (1958), queria filmar algo mais leve e despreocupado em termos de temática e simbolismo. Dá pra ver como o diretor se diverte com os absurdos da trama, amparada num de seus conceitos preferidos (o do homem errado, que se envolve por acidente numa complicação), mas também se esmera no jogo de câmera que alterna perspectivas objetiva e subjetiva (como na cena de perseguição de carro, ou ainda quando o protagonista leva um soco) e na decupagem que sempre tem sucesso em conduzir nosso olhar ao que importa em cada cena. De propósito ou não, Hitchcock antecipou a fórmula dos filmes de James Bond que ganhariam as telas a partir de “Dr. No” (1962): cenas de ação em locações famosas (aqui, no Monte Rushmore e na sede da ONU em Nova York); um personagem central charmoso e cafajeste, vestido num terno impecável, que tem que correr contra o tempo para desarmar um plano maligno; personagens femininas bonitas e moralmente ambíguas, que ajudam o protagonista mas podem ter laços com os vilões; e, talvez mais importante, uma mistura de verossimilhança com absurdo, numa tonalidade de aventura e passatempo, por mais que possa haver um subtexto sério.

 

 

Nota: 4/5

 

Sobre o(a) Autor(a)

João Paulo Capelotti

É advogado e pesquisador, e gosta de cinema desde que se entende por gente.
Publicado no Liceu Online por:

Edição - Liceu Online

Revista online de Humanidades. @liceuonline

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