Como punição ao seu mau comportamento e ao quase acidente que causou, Lucas, 7 anos, é deixado na beira de uma estrada margeada por uma floresta. Não vemos isso, porém. “O castigo” começa quando seus pais Ana e Mateo voltam menos de dois minutos depois para pegá-lo de volta, mas ele não está mais lá. Buscas iniciais não dão resultado e o casal se vê obrigado a chamar a polícia. O suspense (o que, afinal, aconteceu com Lucas?) ganha um senso de urgência e desespero crescente graças à decisão do diretor Matías Bize de rodar tudo em plano sequência, de modo semelhante ao que Alejandro González Iñárritu fez com “Birdman” (2014). O show é da excelente atriz chilena Antonia Zegers, conhecida pelas participações nos filmes de Pablo Larraín como “No” e “O conde”, que vai mostrando aos poucos as camadas de sua personagem, expondo no processo feridas abertas do casamento e da sua experiência de maternidade. A performance é o principal atrativo da produção, um tour de force de luz e sombra que passa por um espectro amplo de emoções, muito bem trabalhadas de maneira mais econômica ou expansiva de modo finamente calibrado. O filme em si é um exercício de estilo bem realizado, sem flashbacks ou elipses, que talvez fosse melhor se deixasse mais em seu subtexto no lugar de expor tudo em diálogos que algumas vezes soam expositivos.
Nota: 3,5/5
Imagem de capa: Coletivo Crítico.








