“A guerra dos Roses”, livro já adaptado para o cinema em 1989, sob a direção de Danny DeVito e estrelando Michael Douglas e Kathleen Turner, trata de algo comum em divórcios: o estado de ânimos acirrado entre os ex-cônjuges que caminha para uma vontade de eliminação física. Não vi a versão antiga, mas este novo “Os Roses: até que a morte os separe” sofre com uma certa crise de identidade. De um lado, o roteiro de Tony McNamara, conhecido por suas colaborações com o cineasta grego Yorgos Lanthimos (“A favorita” e “Pobres criaturas”), traz diálogos rápidos, ferinos e cortantes, o típico “wit” inglês – aquela resposta sarcástica, demolidora e muito rápida, o comentário espirituoso que acaba com qualquer um. De outro lado, a direção de Jay Roach, conhecido pelos filmes da série Austin Powers, enxerta elementos do besteirol americano, com gags visuais, comédia física (especialmente de personagens embriagados) e constrangimento de situações incômodas ou esdrúxulas. O roteiro parece reconhecer como um de seus temas esse choque cultural, tanto que a cena do jantar ressalta a distância entre esse humor mais americano e o humor realmente ferino das alfinetadas entre Theo e Ivy, por meio de um outro casal, estadunidense, que tenta reproduzir a troca de farpas entre eles sem o menor sucesso (e esse é o motor da graça nessa cena). Ajuda muito que Olivia Colman e Benedict Cumberbatch deem o melhor de si e nos façam acreditar que aquele casal se ama e se odeia na mesma medida – além de entregar o humor britânico ácido em sua melhor forma. O talento dos atores deixa a impressão de que “Os Roses”, apesar de ser um entretenimento bastante decente, poderia ser melhor caso resolvesse a crise de identidade que o sabota parcialmente.
Nota: 3/5.
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