Estava com expectativas altas para “Valor sentimental”, não só porque o filme ganhou o grande prêmio do júri no Festival de Cannes de 2025, mas também porque gosto muito das obras anteriores do diretor Joachim Trier (“Thelma”, “A pior pessoa do mundo”) e do corroteirista Eskil Vogt (“Blind”). Felizmente, a dupla mais uma vez não decepciona. O longa tem diálogos muito bem escritos, mas é nas cenas de silêncio, nas quais os personagens só sugerem ao espectador que há muito mais não dito, que o filme cresce ainda mais em qualidade – também graças às atuações irrepreensíveis e verdadeiramente dignas de prêmios de Renate Reinsve, Stellan Skarsgard, Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning. A câmera capta com precisão a intensidade dos olhares e o que eles traduzem em termos de emoção. E, sim, a rigor trata-se de um melodrama, mas econômico, cuja carga vai se acumulando aos poucos até chegar às duas cenas finais, catárticas a seu modo e muito bonitas por ilustrarem o amor entre as irmãs Nora e Agnes e o potencial redentor da arte. Embora a montagem de “Valor sentimental” tenha alguns soluços, com flashbacks que, embora tenham função narrativa e coerência, parecem interromper a fluidez do conjunto, isso não tira o brilho e os méritos da obra, cujos olhares e silêncios estão ecoando na minha memória até agora.
Avaliação: 5/5
Imagem de capa: Valor sentimental. Instituto Moreira Sales.









