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por João Paulo Capelotti, especial para o LiceuOnline.

Embora seja conhecido pela obra de terror, que passa por “Carrie”, “O iluminado” e “It”, todos livros adaptados para o cinema, o escritor Stephen King tem incursões pelo drama, também levadas às telas, como “Um sonho de liberdade” (1994) e “Conta comigo” (1986). Este “A vida de Chuck” adapta um conto do renomado autor numa salada que mistura ficção científica de fim de mundo com doses de autoajuda meio piegas sobre a importância de se olhar a vida de uma maneira positiva, algo ilustrado aqui por meio da dança. A 1h50 de duração soa maior, já que o filme parece podar todos os conflitos e ceder lugar à compreensão generalizada. Os infortúnios que se abatem sobre o protagonista são sempre imponderáveis (doença, acidente), o que dá uma sensação de relações humanas idealizadas e sanitizadas. Mesmo o avô alcoólatra interpretado por Mark Hammil é um poço de bondade e delicadeza, mesmo em seu momento mais agressivo. Pode ser que a intenção de King aqui fosse justamente de falar de um mundo ideal, e não propriamente verossímil, mas tudo parece forçado. O diretor e roteirista Mike Flannagan, conhecido pela série de terror “Missa da meia-noite” (2021) e pelo filme “Doutor Sono” (2019), este também baseado na obra de King, adapta o texto com reverência, incluindo uma persistente narração em off que explicita o que muitas vezes já está na tela. Ele até não pesa muito a mão no melodrama, mas, com exceção de raras interações, como do protagonista com sua avó (a ótima Mia Sara), pouco dali me interessou de verdade. No geral, apesar de estar longe de ser inassitível, em especial graças ao esforço e ao carisma de atores como Chiwetel Ejiofor e Karen Gillan, achei açucarado demais, com muita cara de “filme de motivação”.

Nota: 2,5/5.

Sobre o(a) Autor(a)

João Paulo Capelotti

É advogado e pesquisador, e gosta de cinema desde que se entende por gente.
Publicado no Liceu Online por:

Edição - Liceu Online

Revista online de Humanidades. @liceuonline

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