Antes de “Amores Brutos” (2000), Alejandro González Iñárritu havia feito apenas um filme para televisão e um curta. Impressiona, por isso, que sua estreia em longas-metragens exiba tanto domínio técnico (orquestrando muito bem, por exemplo, uma perseguição de carros) e reúna talentos catapultados dali para frente (como o ator Gael García Bernal e o diretor de fotografia Rodrigo Prieto, que se tornou um colaborador frequente de Martin Scorsese). É ainda um de seus melhores trabalhos (mesmo porque o diretor se perdeu um pouco no próprio ego, como dá pra ver no recente “Bardo – Falsa crônica de algumas verdades”, de 2022). Tem urgência e crueza o retrato de uma Cidade do México corrompida de cima a baixo, do rico que manda matar o sócio até os apostadores das sangrentas rinhas de cachorros. O roteiro de Guillermo Arriaga usa a fórmula das três histórias independentes que em algum momento vão se cruzar, o que dá alguma irregularidade ao projeto (pois a do meio, da modelo que vê a vida derreter depois de um acidente de carro, é a menos interessante delas, o que dá um aspecto meio inchado às 2h24 de projeção). Ainda assim, Iñárritu consegue manter a atenção do espectador partindo de premissas relativamente simples, mas universais e por isso mesmo tão eficientes, como a rivalidade entre irmãos e o pai que tenta se reaproximar da filha depois de muitos anos afastado. É um trabalho sólido, que, mais do que resistir à passagem do tempo, mostra as qualidades que o diretor parece ter deixado pelo caminho.
Nota: 4/5
Imagem de capa: Divulgação (Netfllix).









