“Bom menino” é um filme com produção modesta (poucos atores, um único cenário, apenas 1h13 de duração), mas que tem uma premissa bastante original: contar uma história de terror pela perspectiva de um cachorro. O diretor Ben Leonberg escalou seu próprio pet no papel principal e não poderia ter acertado mais: Indy é carismático e entrega uma paleta de emoções – que vão do medo à curiosidade, passando pela cumplicidade e pelo desespero – maior que a de muito humano. Uma pena que o repertório de truques do diretor seja mais limitado. Por exemplo, há mais de uma cena envolvendo o cão percebendo uma sombra estranha na parede, seguindo-se um corte para o olhar intrigado do animal, e novo corte para a parede sem nada; ou então em que vemos um vulto no fundo do quadro, e o cachorro está de costas para ele, ou de quando ouvimos um barulho estranho no andar de baixo e acompanhamos a investigação canina a respeito depois de alguns segundos de hesitação. Mas se o cineasta usa o repertório clássico do terror para a trama (a casa mal-assombrada e isolada na floresta, o protagonista que é desacreditado, uma maldição hereditária, um porão escuro etc), não se pode negar que a estética é coerente com a proposta de um filme ancorado no ponto de vista do cachorro, com a câmera em ângulos baixos e rostos humanos que são vistos desfocados, de relance ou que mal aparecem ao longo da projeção (uma tática similar à que Spielberg utilizou em “E.T.”). “Bom menino”, gravado com muita paciência ao longo de três anos, entretém e consegue nos deixar tensos principalmente por causa da enorme empatia que sentimos por seu protagonista – e nada pode segurar mais a atenção do espectador do que uma torcida tão genuína por um personagem.
Nota: 3,5/5
Imagem de capa: The Hollywood Reporter.









