skip to Main Content

por Daniela Cristina Pacheco, especial para o LiceuOnline.

  1. Ficha Técnica

    Título: Escritores da Liberdade

    Título original: Freedom Writers

    País: EUA/Alemanha

    Direção:  Richard LaGravenese

    Roteiro:   Richard LaGravenese e Erin gruwell.

    Trilha Sonora: Mark Isham, RZA

    Produção: Danny DeVito, Michael Shamberg, Stacey Sher

    Fotografia: Jim Denault

     Língua: Alemão

    Ano: 2007

    Elenco principal: Anh Tuan Nguyen, Blake Hightower, David Goldsmith, Deance Wyatt, Hilary Swank, Imelda Staunton, Jason Finn, John Benjamin Hickey, Kristin Herrera, Pat Carroll, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Vanetta Smith, Will Morales.

    Sinopse [1]: Hilary Swank, duaz vezes premiada com o Oscar, atua nessa instigante história, envolvendo adolescentes criados no meio de tiroteios e agressividade, e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. Quando vai parar numa escola corrompida pela violência e tensão racial, a professora Erin Gruwell combate um sistema deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes. Agora, contando suas próprias histórias, e ouvindo as dos outros, uma turma de adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância, recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo. Com eletrizantes performances de um elenco de astros, incluindo Scott Glenn (Dia de Treinamento), Imelda Stauton (Harry Potter e a Ordem da Fênix) e Patrick Dempsey (Grey’s Anatomy), ganhador do Globo de Ouro. Escritores da Liberdade é baseado no aclamado best-seller ” O Diário dos Escritores da Liberdade”

    [1] Fonte da Sinopse: http://www.interfilmes.com/filme_16856_Escritores.da.Liberdade-(Freedom.Writers).html

     

  2. Análise Crítica

Entre narrativas e imagens: O cinema o reflexo da sociedade.

Nunca mais recuarei diante da verdade;
pois quanto mais tardamos a dizê-la;
mais difícil torna-se aos outros..
ouví-la.

Anne Frank

Como docentes e investigadores e investigadores sociais devemos estar sempre atentos para as produções humanas que encontramos (artística, arqueológicas, culturais e históricas), pois é com elas projetam inquietação humanas além de questionamentos a serem sanados , pois “Tudo que o homem diz, ou escreve, tudo que fabrica, tudo que toca pode e deve informar sobre ele” (BLOCH, 2001, p.79).

Assim,  quando nos atentamos as produções artísticas em seus vários aspectos, podemos contemplar as inquietações e sua busca de sentido que quando manifestada em arte pode produzir   elementos que pode em certa medida  acalmar  alguns  questionamentos. Visto que “o homem fixa seus instintos, seus impulsos, nas obras de arte. E estas formam o lastro de sua cultura. Interpretamos melhor os homens, através dos artistas. São eles a voz longínqua da espécie” (SANTOS, 1958, p.53).  Tal  afirmação vem a nos acrescentar, pois se refletimos  o quão importantes foram para a historiografia este lastro cultural impresso na arte, veremos que muito do chegou a nós desde antiguidade  conhecemos pelas manifestações artísticas e culturais, exemplo disso, o que compreende sobre os gregos antigos pelo que nos chegou de sua dramaturgia, além de suas esculturas e arquitetura – que são reverbera influenciando a na sociedade Ocidental até a atualidade.

Na contemporaneidade  manifestações  artísticas assumem outras formas, pois com advento do audiovisual e a criação do cinematógrafo pelos irmãos Lumière no fim do século XIX impulso para que surgisse uma das mais características presentes formas de arte da contemporaneidade: o cinema. Este que por sua vez como uma a grande manifestação que emerge nesse mundo novo demonstrando as  mudança do homem e a sociedade que ele cria passam a ser refletidas em suas produções. Como bem explicita Walter Benjamin quando ele afirma que

(…) o filme serve para exercitar o homem nas novas percepções e reações exigidas por um aparelho técnico cujo papel cresce cada vez mais em sua vida cotidiana. Fazer do gigantesco aparelho técnico do nosso tempo o objeto das inervações humanas – é essa a tarefa histórica cuja realização dá ao cinema o seu verdadeiro sentido. (BENJAMIN, 1994, p.174)

 

Como podemos observar o  cinema acaba por ser um elemento de grande destaque social, que por sua linguagem audiovisual  que soma a linguagem, imagem e o som toca e seduz quem entra em contato. Pois ela  reflete os elementos dessa sociedade  que ajudou a construir.  As imagens aliteradas de forma rápida, dando movimento as cenas, criam projeções estas  “ao alcance de todo mundo. Uma linguagem não só nova, como também universal” (CARRIÈRE, 2006, p.20)

É o cinema que dissemina tendências, reforça imaginários, forma opiniões nas telas brancas  dos vários cinemas do mundo encontramos as narrativas que colaboraram para informar, integrar e homogeneizar pensamentos e sociedades ao longo da história desde sua criação.  Devido às várias sensações produz  pelas ações e emoções exibidas na película que acabam por sensibilizar de modo certeiro o espectador. Pois,

(…) a percepção visual das várias manifestações dessas emoções [nos filmes] se funde em nossa mente com a consciência da emoção manifestada; é como se estivéssemos vendo e observando diretamente a própria emoção. Além disso, as ideias despertam em nós as reações adequadas. O horror que vemos nos dá realmente arrepios, a felicidade que presenciamos nos acalma, a dor que observamos nos provoca contrações musculares; todas as sensações resultantes […] dão o sabor de experiência viva ao reflexo emocional dentro de nossa mente. (MUNSTERBERG, 1983, p.51-52)

 

O “efeito real” (MACEDO, 2009) que o filmes produzem em seus  espectadores –obra da própria linguagem cinematográfica – faz com que a maioria tenha aquele passado representado nas telas como algo legítimo e verdadeiro, algo que ele viu. Assim dentro de suas limitações o filme toma o lugar dos livros, criando pessoas com conhecimentos baseados quase que exclusivamente nas informações – as verídicas e as ficcionais – fornecidas por esses elementos audiovisuais, lembrando com a fala de Cristiane Nova, que o

 

O grande público, hoje, tem mais acesso à História a através das telas do que pela via da leitura e do ensino nas escolas secundárias. Essa é uma verdade incontestável no mundo contemporâneo, no qual, de mais a mais, a imagem domina as esferas do cotidiano do indivíduo urbano. (NOVA, 1996)

 

Quando vemos em tela  alguma   narrativa fílmica como exemplo deste trabalho “Escritores da liberdade” estamos diante de uma representação desse passado ou melhor uma interpretação dele que se molda pela vivencias de quem o produz e interpreta (no caso atores ). A forma como um cineasta buscou  expressá-lo para atingir um determinado fim,  jogando entre os elementos passados encenados em tela para o público contemporâneo, cria-se pelo fator audiovisual, uma narrativa histórica que se constrói pelos elementos mostrados passado informar de maneira direta ou indireta por meio de entretenimento coisas aconteciam no passado ou projetar como ela poderão ser no futuro. A vida humana que é projetada nas salas escuras do cinema ganha tons de verdade, ou a expões, dentro de um alcance grandioso  “o cinema se transforma ainda em um difusor de ideias e sobre a história de modo mais ou menos pedagógico, voluntariamente, ciente ou inconsciente” (NÓVOA, 2009, p.175).

Ao optar por criar um filme histórico, o cineasta acaba por assumir, grosso modo, a posição de historiador – como criador de uma narrativa sobre o passado –, mesmo que não carregue consigo o rigor metodológico do trabalho historiográfico (NOVA, 1996).

Após observa a importância do cinema nos faz preciso classificar, didaticamente, os filmes.  Para isso buscamos as contribuição de Cristiane Nova que classifica as construções fílmicas da seguinte maneira: a) Reconstrução histórica: quem tem por base narrativas e acontecimentos históricos e personagens  comprovado pela historiografia. b) Biografia histórica: filmes que narram  sobre a vida de um indivíduo e as suas relações com o outro e sua contemporaneidade; c) Filme de época: compreende aqueles filmes cujo  contexto histórico é apenas um pano de fundo, não passando apenas  de um elemento pitoresco e alegórico; d) Ficção histórica: filmes onde enredo é ficcional, porém, ao mesmo tempo, possui um sentido histórico real; c)Filme etnográfico:  que sua produção tem intenção  científico-antropológica; d) Adaptações literárias e teatrais: engloba os filmes que são adaptação de literatura e peças de teatro; e) Filme-mito: são filmes que se debruçam sobre as narrativas .

 

2.2 – Escritores  da liberdade: entre rótulos e paradigmas um transcender pedagógico.

Após analise feita sobre a influencia da cinema e suas construções, buscaremos nessa parte do trabalho a análise da fonte fílmica “Escritores a liberdade”, mostrando como os rótulos podem serem paradigmas a serem quebrados por meio da busca de sentido  da vida dos indivíduos (alunos) dentro de um proceder pedagógico que não relega os mesmos a um lugar secundário, mas protagonista de sua própria história.

O filme conta a história real  de uma professora Erin Gruwell (Hilary Swank), que recém formada busca uma vaga de emprego na  escola Woodrow Wilson (em Long Beach, California, no ano  de  1994.  Gruwell, busca empregar-se na escola , devido as mudanças institucionais e educacional na qual estava passando, Woodrow era considerada uma das instituição de Long Beach com o melhor desempenho acadêmico, passa a fazer uma integração racial , onde a escola é obrigada agregar em seu  corpo discente alunos da periferia que fazem parte de grupos étnicos diferentes do que a escola atendia, negros, latinos e alguns orientais. Gruwell movida por seus ideais e uma visão Idílica da sala de aula, pensa que pode contribuir e apreender com essa mudanças.

A Escola destina a jovem professora  uma turma considerada problema,  a qual destinada a  alunos considerados “problemas” com baixo rendimento e sem perspectiva de melhora, déficit  de aprendizagem entre outros problemas, a sala 203. Já no principio a professora  começa as disparidades  de investimento e tratamento com as turmas consideradas de melhor desempenho, visto que  a sala 203 é interpretada com tons de exclusão, pois era composta de moveis antigos, mesas e paredes riscadas e os alunos estigmatizados a inferioridade por serem considerados rebeldes irrecuperáveis , assim , desacreditados. Esse discurso inferiorizante que rotulava os alunos com potencial baixo  é disseminado por alguns professores e pela própria direção que desde do princípio discorda com as mudanças implantadas na instituição, além, de  não investir  e nem procura ajudar a professora com materiais didáticos  e livros para uso dos alunos.

Embora os problemas institucionais a professora passa também se depara outro problema de indisciplina dos alunos não conseguindo estabelecer uma relação de respeito, e muito menos ensinar  embora tente usar de todo conhecimento adquirido academicamente.  Erin , por sua vez não desiste e começa a perceber que no contesto daquela sala ela representava uma hegemonia branca, além de ser considerada uma representante de um método de ensino que não dialogava com as necessidades dos alunos ,e sim, que os relegavam a rótulos de excluídos e fracassado devido as sua origens.

Enquanto seus dias de docência se avançavam foi observando o movimento e as inquietações dos alunos até que um certo dia uma de suas alunas, os professores não tocam no assunto, é testemunha de um assassinato  e começa sofrer pressões externa para que não denunciasse o executor do crime, a  escola por sua vez orienta, os professores a não tocar no assunto mesmo que  alguns dos alunos estejam envolvidos com o crime. No entanto o assunto vem a tona durante a aula e a professora acha útil discutir sobre o ocorrido, o que gera um acerta aproximação entre ela e seus alunos , levando-a a perceber a necessidade de contextualização da vida cotidiana dos alunos  com sua disciplina.  Mediante as situações vivenciadas Erin, resolve  adotar novos métodos  de ensino, porém, Transcendendo os rótulos e o tradicionalismo impregnado na  instituição, passando trabalhar com seus alunos a partir de suas realidades.

Um das situações deflagradora da mudança da professora foi um episódio que os alunos compartilham um charge de um tom  pejorativa  de um  colega. Quando  a professora  pega tal desenho, coloca em discussão a situação vexatória que os judeus passaram no período do nazismo, onde eram publicadas em jornais  da Alemanha charges denegrindo sua imagem, ridicularizando-os e relegando-os a uma situação  inferiorizante. Quando Busca levantar o fato histórico, percebe que os alunos desconhecem tal episódio.  Tendo consciência dessas limitações a professora rompe com seus paradigmas do proceder docente e transcende para um exercício pedagógico que abarcasse a diversidade de seus alunos, e mais, que eles descem sentido a suas existências, onde, tal busca de sentido que os levassem a romper com a realidade imposta e a eles e os estereótipos que carregavam, levando-os a um posicionamento critico, se enxergando como cidadãos e  autores de suas próprias histórias.

Assim, para promover essa mudanças  professora propõem atividades extra-sala, como visita a museus e  jogos  que valorizavam os conhecimento prévios dos alunos , os trazendo a um lugar de centralidade, aumentando  a autoestima dos mesmos.  Outra atividade proposta pela professora  promove um mudança enorme na turma a leitura do livro “Diário de Anne Frank[1]“, o que produziu comoção e empatia entre os alunos e interesse dos alunos. Após a leitura a professora leva os alunos a conhecer alguns sobreviventes do holocausto além de propor que eles escrevam um diário, e,  assim como Anne, os alunos narram seus cotidianos. Esse diário dá voz aos alunos , sendo um instrumento de liberdade e ressignificação de suas vidas. Essa atividade é nomeada pelos alunos como “”Escritores da liberdade[2]“. A escrita de si (dos alunos ) transcende os muros da escola e  posteriormente as historias narradas nos diários são editadas em livros por iniciativa  dos alunos torna-se um projeto, onde buscam dar voz a alunos da periferia. Muitos dos alunos conseguem transcender os rótulos e conseguem adentrar a faculdade e mudar o rumo de suas vidas. Assim encontrando um sentido de vida transcendendo os rótulos e construindo um novo auto- conceito em detrimento dos fatores sociais.

Nessa história narrada  pelo cinemas podemos observar como e escola influencia na vida de seus aluno, ou melhor , o professor que é mediador muitas vezes das relações  que muitos dos alunos tem com o mundo .

Os adolescentes estão em constante transformação, sendo influenciados principalmente pelos veículos de comunicação em massa e pelo grupo social em que estão inseridos. Segundo Flávio F. D’Andrea (2001) a adolescência é uma época em que aumentam as dissonâncias entre as três partes do aparelho psíquico e é necessário um certo tempo para que id, ego e superego estejam aptos a funcionarem, outra vez, como um conjunto harmonioso. Existe um forte conflito entre o desejo de ser reconhecido como adulto e o desejo de permanecer criança. Nesse momento há uma intensificação da tendência de buscar, fora da família, objetos para odiar, amar e identificar-se. A visão de mundo e a orientação dos adolescentes alteram-se por causa de seu comportamento físico, está saindo da infância e aproximando-se dos adultos e nesse sentido o professor tem uma função indispensável.

Como uma obra em construção, a adolescência acontece no indivíduo principalmente no terreno da escola, onde o jovem passa boa parte de seu dia fora de casa. É nesse ambiente que o adolescente aprende a se virar de verdade para resolver problemas com independência, checando e ampliando o conhecimento, ouvindo, negociando, cedendo, participando, cooperando, perseverando, respeitando. Aprende a ser solidário e consciente de seus direitos, deveres e responsabilidades.

Segundo, Eurice Soriano (1986, p.38-53) e (2001, p 23-37), outro fator social de enorme importância no que concerne o ambiente escolar, é o  desenvolvimento  da criatividade, o senso critico e o auto conhecimento dos alunos sobre si . E como resultado destes fatores surge o Autoconceito , ou seja:

[…] a imagem subjetiva que cada um de nós tem de si mesmo e que passamos a vida tentando manter e melhorar. Ele é formado pelas crenças e atitudes a respeito de nós mesmos, sendo altamente influenciado pela nossa percepção do que os outros pensam de nós. Constitui um determinante importante da pessoa que somos; determina ainda o que pensamos a respeito de nós mesmos, o que fazemos e o que acreditamos que podemos fazer e alcançar (1986, p. 46).

 

O autoconceito de um indivíduo se forma desde o nascimento e vai se solidificando com o passar do tempo e a partir das experiências que este trava na família, na escola e na sociedade como um todo. Ele é de extrema importância para o modo como a pessoa encara a vida e os acontecimentos que o cercam, porém, as mudanças no autoconceito podem ocorrer, sejam elas positivas ou negativas, apesar de ocorrer de forma lenta.

O autoconceito, portanto, pode ser tanto um impulsionador da busca de sentido , porem é confrontado com algumas barreiras que podem surgir diante do desenvolvimento da identidade , tais como: pressões sociais com relação a indivíduos que divergem da norma; atitudes negativas com relação ao arriscar-se; aceitação pelo grupo como um dos valores mais cultivados, em detrimento da criatividade; expectativas com relação ao papel sexual, que por vezes fixa comportamentos esperados para cada sexo; negativismo; medo de criticas; ansiedade; sentimento de inferioridade; entre outros.

Percebemos, portanto que existem diversas barreiras ao desenvolvimento do autoconhecimento (identidade), mas que também este desenvolvimento é possível e mesmo necessário, principalmente pelo fato do mundo atual ser dinâmico e com constantes inovações, exigindo dos indivíduos uma postura ativa, reflexiva e criativa perante os problemas que lhe surgem, como podemos observar no filme , por meio das figuras da   professora Gruwell e seus alunos. Pois de várias maneiras os indivíduos  estão à procura do sentido para sua existência e isto ocorre principalmente quando se deparam com alguma situação trágica  e/ou que expõe sua limitação, suas singulares fragilidades que  confronta os indivíduos fazendo se enxergar como mortais e perceberem suas próprias imperfeições.

Observar  a importância  do exercício prático de busca de sentido da vida[3] em sala de aula, nos faz compreender quão singular e profundos são os questionamentos do homem sobre a sua  própria existência e qual o sentido dela. Esse questionamentos são arrebatadores  quando os indivíduos se encontram num período tão conturbado como a adolescência.

Pois esse momento da vida do aluno torna-se uma constante busca pelo sentido da vida. Visto que se deparam com a necessidade de fazer as principais escolhas que nortearão os rumos de seu viver, pois reside nesse momento uma busca de sentido e tudo é experimentado com intensidade.

Na vivencia escolar o professor  passa a testemunhar como alunos/as adolescentes interpretam o sentido de sua existência. E cabe a ele direcionar os   elementos importantes da vida dos/as adolescentes estão sendo considerados no contexto escolar.

Esse direcionamento pode ser promovido por meio de uma maior aproximação do universo juvenil com o âmbito escolar. Mediando com os diversos fatores que  influenciam o modo de viver dos/as adolescentes, dentre elas a forte presença da cultura. Onde os/as adolescentes se tornam produtos da cultura vigente, mas, também produzem novas formas e práticas de expressão cultural. É nesse  expressar culturalmente que os alunos adolescentes construirão  sua  identidade, e projetarão  seu sentido de vida, mas tal exercício  promove inquietação e sofrimento , visto que muitas dessas identidades se fomentam pela aceitação do outro.

Outra questão que  se pode relacionar com a busca de sentido no contexto escolar é aspectos relacionado com um possível carreira, isto é, questão de obter um bom emprego que para eles é um determinante imutável da vida. Um elemento pontual na busca do sentido da vida é a fé e a sexualidade pois é no contexto escolar que ele  experimenta o processo de alteridade, em sua maioria de forma inconsciente, as construções de religiosidade e sexualidade diferente e inerente a ele. Muitas das questões relacionadas ao sentido da vida  o aluno é construído  dentro da escola, porém ela acaba não sendo apenas um espaço onde se desenvolve o processo de ensino-aprendizagem, mas também como um lugar próprio para exercer sua sociabilidade e identidade .

Como educadores devemos compreender que a escola atual mesmo enfrentando dificuldades muitas vezes não consegue estabelecer os elos necessários entre seus interesse como instituição e os  interesses e questões existenciais do/a educando/a.  O que por diversas vezes atropela  os reais anseios, desejos, vivências e experiências do/a adolescente e suas necessidades e especificidades que são tão latentes na fase adolescência. Assim conforme podemos ver no filme e em nossa prática docente, os alunos, principalmente os adolescentes muitas vezes não são considerados pelo ambiente escolar, o que intensifica  as tensões e os conflitos entre  alunos e escola e a não compreensão dos mesmo da importância do saber na busca de sentido da vida.

Notas:

[1] Annelies Marie Frank (12 de junho de 1929 – fevereiro de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Ela se tornou uma das figuras mais discutíveis do século XX após a publicação do Diário de Anne Frank (1947), que tem sido a base para várias peças de teatro e filmes ao longo dos anos. Nascida na cidade de Frankfurt am Main, na República de Weimar, ela viveu grande parte de sua vida em Amsterdã, capital dos Países Baixos, onde perdeu sua cidadania alemã. Sua fama póstuma deu-se graças aos documentos em que relata suas experiências enquanto vivia escondida num quarto oculto, ao longo da ocupação alemã nos Países Baixos, durante a Segunda Guerra Mundial.: Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anne_Frank. Acesso  em 25/05/2016

[2]. Nomearam-se a si mesmos de “os escritores liberdade” – em homenagem aos ativistas dos direitos civis os “Cavaleiros da Liberdade” (Freedom Riders), jovens negros e brancos, intelectuais, artistas e religiosos, que partiam do norte dos Estados Unidos na década de 1960 em caravanas em direção ao Sul, para pressionar as autoridades locais a pôr fim na segregação. O Sul reagiu com violência. Governadores, prefeitos e xerifes empregaram o aparato policial contra os militantes dos direitos civis. Erin em parceria com os alunos funda a associação “Freedom Writers Fundation”(Associação dos Escritores da Liberdade – http://www.freedomwritersfoundation.org/) e posteriormente publica um livro que reúne os diários escritos por cada um Disponível em:.: http://www.laprev.ufscar.br/sinopse-filmes/escritores-da-liberdade  Acesso em 25/05/2016

[3] Para discutirmos sobre essa busca de sentido e a transcendência   nesse texto   anos apoiaremos nas  contribuições de Viktor Frankl[3] em seu texto “A Tese do Otimismo Trágico” que faz parte de   “Em Busca de Sentido Um Psicólogo no Campo de  Concentração” onde ele discute sobre a capacidade do homem de transcender a dor e o sofrimento de forma criativa na busca compreender o seu sentido de Vida. Seu texto faz parte da palestra ministrada no III Congresso Mundial de Logoterapia, na Universidade de Regensburg, República Federal da Alemanha, em junho de 1932.

Referência Documental:

Fonte de Analise :Filme “Escritores da Liberdade”.Online <https://vimeo.com/39026128> Acesso em: 13/05/2016

Fonte da Sinopse: http://www.interfilmes.com/filme_16856_Escritores.da.Liberdade-(Freedom.Writers).html Acesso em: 27/05/2016

Referências Bibliográficas:

D’ANDREA, Flávio Fortes. Desenvolvimento da Personalidade. Ed. Bertrand Brasil, 2001.

ALENCAR, Eunice Soriano. Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Editora Vozes, 1991. ISBN 85-326-0626-2 ISBN 85-233-0274-3

MONTÓN, Angel Luis Hueso. O homem é o mundo midiático no princípio do século. In: NÓVOA, Jorge; FRESSATO, Soleni Biscouto; FEIGELSON, Kristian(org). Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador: EDUFBA; São Paulo: Ed. da UNESP, 2009.

NOVA, Cristiane. O cinema e o conhecimento da História. In: Revista Olho da História, nº 3, 1996. On line: < http://www.oolhodahistoria.ufba.br/o3cris.html > acesso: 17/06/2014.

 

 

 

Sobre o(a) Autor(a)

Daniela Cristina Pacheco

Daniela Cristina Pacheco é Mestre em História pela UFG. "Historiadora e pedagoga. Professorando por aí..."
Publicado no Liceu Online por:

guimaraes2001

Piracanjubense, graduando em História (UFG), pesquisador iniciante e professor em formação. Apaixonado por literatura e cinema, atualmente pesquisando sobre teoria e filosofia no movimento operário durante a ditadura militar (1964-1985).

Comentários...

This Post Has 11 Comments

  1. Excelente análise! Perpassa questões de ensino, pesquisa histórica, psicologia, sociologia e arte. Me inspirou a pensar algumas questões em sala de aula!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também...

Back To Top