A filmografia de Marco Dutra, à exceção do drama “O silêncio do céu ” (2016) e de algumas séries de TV, é composta basicamente de filmes de terror alegóricos, com atmosfera soturna e um subtexto que vai ganhando cada vez mais importância ao longo da projeção, muitas vezes em detrimento da própria embalagem de terror. Dele, vi “Todos os mortos” (2020) e “As boas maneiras” (2017), que a meu ver são engolidos pelas próprias metáforas, e “Quando eu era vivo” (2014), com pretensões mais modestas, mas mais eficaz e bem acabado como obra. Neste “Enterre seus mortos” o cineasta repete sua sina, ao começar sua história de modo intrigante, como de hábito, mas também se perdendo dentro da gororoba de temas abordados (apocalipse, invasão alienígena, seitas religiosas, entre outros). O ritmo é problemático e o desenvolvimento bastante truncado. Selton Mello, propositalmente monocórdio e apagado, é o oposto de seu solar personagem em “Ainda estou aqui”, o que dificulta, logo de início, a identificação do espectador com um ponto de vista tão pouco interessante. Marjorie Estiano, muito carismática e magnética, acaba chamando a atenção – pena que ela tenha bem menos tempo de tela do que o protagonista. No fim, Dutra deixa muito claro seu ponto sobre os perigos da interferência da religião na sociedade, mas faz isso por meio de uma história nada engajante.
Nota: 2/5
Imagem de capa: O Diário Online.









