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por Douglas de Castro Carneiro, especial para o LiceuOnline.

Introdução:

O presente texto tem como objetivo apresentar uma breve introdução sobre Paulo de Tarso. Centraremo-nos no estudo da trajetória de Paulo de Tarso(O apóstolo dos Gentios), que parece constituir um marco nesse processo , de uma vida irrepreensível dentro do judaísmo farisaico, o que levou a perseguir cristãos, até sua transformação e conversão pregando a mensagem cristã em várias cidades mensagens do Mediterrâneo Romano (SELVATICI, 2002, p.1).  Nesse sentido, concordamos com a historiadora Monica Selvatici, que procura traçar um paralelo de vida desse personagem tão importante para o desenvolvimento do movimento cristão. Contemporaneamente, acredita-se que Paulo viveu uma vida cheia de paradoxos.

Nascido e educado como judeu, tendo orgulho disso, viajou por todo o mundo pagão para pregar as “Boas Novas. Saulo ou Paulo teria adotado para si a fé que este perseguia e colocou-se como apóstolo de Jesus Cristo e não como um dos seus doze discípulos originários. Em razão disso, adotou um nome, Paulo, e judeu, Saulo esta referência conhecemos apenas pelo livro de Atos (HARRILL, 2012, p. 38).

O Novo Testamento é composto por vinte e sete livros. O “apóstolo dos gentios” é reconhecido como autor da maioria dos textos neotestamentários. De acordo com Pedro Paulo de Abreu Funari e Pedro L. Vasconcellos (2017, p.30), eram documentos de circunstância para responder a inquietações concretas e momentâneas das comunidades. Mesmo assim, as cartas constituem-se como documentos que mais nos revelam sobre Paulo. Considerando estes argumentos, notamos os argumentos propostos por Funari e Vasconcellos (2017):

Contudo, nem todas as cartas atribuídas a Paulo, que levam seu nome no cabeçalho, foram ditadas pelo apóstolo, pois algumas foram compostas posteriormente por seus seguidores. Consideram-se sete como autênticas: Romanos (56-57 d.C), 1ª Coríntios (54-55 d.C), 2ª Coríntios (55-56 d.C), Gálatas (53-54 d.C), Filipenses (55 d.C), 1 Tessalonicenses (51 d.C) e Filemon(55 d.C). As demais, embora com graus maiores ou menores de segurança, tendem a ser tomadas como produtos de seguidores de Paulo: 2ª Tessalonicenses (70 d.C), Colossenses (80 d.C), Efésios (90-100 d.C), 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito datam do início do século II d.C (FUNARI; VASCONCELLOS, 2017, p.32).

As cartas são os primeiros documentos do Novo Testamento (BYRON, 2004). Segundo as pesquisas mais recentes, são o documento mais antigo do corpus neotestamentário. De acordo com Frederico Lourenço (2020), existe, hoje, entre os estudiosos do Novo Testamento, uma opinião quase consensual no sentido de considerar a 1ª Tessalonicenses a mais antiga das cartas que chegaram de Paulo. Também é praticamente consensual entre os estudiosos que a carta foi escrita por Paulo a partir de Corinto, talvez por volta de 50-51 d.C. A congregação ou assembleia na cidade de Tessalônica fora fundada por Paulo, após sua permanência em Filipos. A carta nos leva a entender que os novos convertidos de Tessalônica tinham sido pagãos e que se encontravam em uma posição ingrata diante dos cristãos provenientes da Judéia. A segunda carta que buscamos apresentar é 1ª Coríntios (datada por volta de 54- 55 d.C). O povo para quem Paulo escreve 1ª Coríntios e outras cartas, é um grupo em que ele está iniciando suas relações, celebrações, crenças e atitudes diante de uma sociedade imperial que poderia trazer bases para a expansão de um movimento social que posteriormente se tornaria cristão (HORSLEY, 2000, p. 13). Nessas várias configurações, Paulo proclamou a mensagem do seu Evangelho. E o que se segue é um conjunto de regras e recursos que compreendem uma ordem simbólica do cristianismo paulino (HORRELL, 1996). Na segunda carta aos Coríntios, datada por volta de 55 a 56 d.C., sua dedicação era destinada a uma igreja específica. A historiografia sobre o tema é bem clara, quando afirma que 2ª Coríntios é um conjunto de muitas cartas que se perderam e que foram condensadas em um único texto.

Entretanto, as cartas de Paulo não eram cartas pessoais, assim como estas três correspondências, o que dificulta o modo como devemos classificar as epístolas paulinas devido às circunstâncias sociais e políticas. De acordo com Francisco Benedito Leite (2016, p. 10), a Epístola aos Gálatas se sobrepõe em importância aos demais textos de autoria paulina em alguns aspectos culturais e linguísticos. Notemos o seu destaque do ponto de vista biográfico: apenas ali temos uma narrativa da trajetória de Paulo contada por ele mesmo.

Destacam-se também as tensões do cristianismo primitivo, já que a própria epístola é testemunha dos reclames de uma das alas de um debate caloroso que se vê ao longo de todo o seu texto. A epístola de Paulo a Gálatas aborda o relacionamento dos cristãos gentios. Porém, tais temas são motivados por um conflito que faz parte de uma sequência de eventos: após a fundação da comunidade, missionários rivais chegaram lá apresentando uma mensagem contrária à pregação original de Paulo.

A interferência destes rivais motivou o envio da carta. A epístola aos Filipenses fora escrita por volta do ano de 55 d.C. Para Paulo de Tarso Veras Pereira (2019), Paulo experimentou o desenvolvimento do seu existir inserido num ambiente cultural que detinha – não somente na ótica da religião judaica, mas do próprio mundo greco-romano – noções bem claras acerca das leis. De acordo com Sandro Pereira (2012, p. 18), a epístola aos Filipenses e sua posição no Corpus Paulinum tem sido bastante controversa. Percebe-se que Paulo teria escrito essa carta enquanto estava no cárcere, o que não impediu de exercer uma boa atividade missionária. Ele recebeu uma doação da comunidade de Filipos por intermédio de Epafrodito. E, em seguida, mandou o amigo de volta por gratidão. Paulo ainda informa que tinha o desejo de visitar a comunidade, além de ter a esperança de ser liberto para a execução que o esperava. A próxima carta que iremos analisar é a carta destinada a Filemon, redigida por volta do ano de 55 d.C. De acordo com Luciano Alves Silva (2019, p. 86), a carta, como entendemos, sugere que Onésimo, o escravo que pertencia a Filemon, havia fugido da casa do seu senhor, porém não se sabe em que circunstâncias. O pedido de Paulo a Filemon, em alguma medida, fora inusitado para a época. Esta carta, em especial, é importante pois trata, na prática, de um pequeno bilhete enviado por Paulo a Filemon tratando sobre o seu escravo Onésimo. A última carta que acreditamos estar no hall das autênticas é a epístola aos Romanos escrita por volta de 56 d.C. De acordo com Misael Juvenil Vieira (2012), Paulo escreveu sua carta de maior folego teológico, a carta aos romanos foi um marco importante em sua trajetória. Ela representou um legado teológico expresso e à disposição da comunidade para consultas permanentes quanto à conduta cristã frente às condutas sociais e morais adotadas no Império Romano.

Considerações Finais:

Nas epístolas paulinas que expomos nesse breve ensaio, a reflexão propiciada nos leva para um estudo introdutório de um importante missionário cristão. Apontou elementos que mostraram que estas comunidades nos quais suas missivas eram direcionadas dialogavam com diferentes correntes filosóficas tais como o estoicismo, em tal ponto que acreditamos que nosso autor possuía um conhecimento prévio. Talvez, seja licito supor, que esta liberdade proposta por Paulo não se limitou a um espectro espiritual, mas ia além e permitia os mais propensos diálogos que ajudavam na compreensão deste evento. Por fim, o “apóstolo dos gentios” não é um autor que atraí a atenção apenas de pessoas religiosas, mas também da academia nos últimos anos e suas múltiplas possibilidades de estudos.

Bibliografia:

BÍBLIA NOVO TESTAMENTO: APÓSTOLOS, EPÍSTOLAS, APOCALIPSE.

Traduzido por Frederico Lourenço. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2020.

BYRON, J. Paul and the Background of Slavery: The Statius Questiones in New Testament Scholarship. CBR 3.1 116-139, 2004.

FUNARI, P. P. A. VASCONCELLOS, P. L Paulo de Tarso: Um apóstolo para as

nações. São Paulo, Ed. Paulus, 2017.

HORSLEY,  R. Paul and the Politcs Ekklesia, Israel, Imperium and Interpretation. Trinity Press, 2000.

HORRELL, D. G Studies of the New Testament and Its World. The Social Ethos of

the Corinthian Correpondence Interests and Ideology from 1 Corinthians to 1Clement. T&T Clark,1996.

LEITE, F. B. A Metáfora do corpo na 1ª Carta de Clemente de Roma aos Corintios

(37:5-38:1) Uma análise dialógica. (Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião), Unimesp, 2012.

SELVATICI, M. Tradição Judaica, Cultura Helênica e Dinâmica Histórica: o

Cristianismo de Paulo de Tarso em perspectiva. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002 (dissertação de Mestrado).

SILVA, L. A. Paulo e Onésimo: Escravidão e Manumissão no Principado Romano.

(Dissertação de mestrado em História), Programa de Pós-Graduação em História.

Guarulhos: Unifesp, 2018.

PEREIRA, P. T V. Perder tudo para Ganhar: A catarse paulina por Cristo sob a

ótica de Filipenses 3,7-14.(Dissertação de mestrado em teologia), Universidade

Católica de Pernambuco, 2019.

PEREIRA, S. A Saga do Herói e o esvaziamento de Cristo: Análise de Filipenses

2,5-11.(Mestrado em Ciências da Religião). Programa em Pós-Graduação em Ciências

da Religião, Universidade Metodista. 2012.

VIEIRA, M. J. A proeminência da Justificação pela Fé na teologia de Paulo em

Romanos 5,12-17(Dissertação de Mestrado em ciências da religião), Programa de Pós-

Graduação em Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, 2014.

Sobre o(a) Autor(a)

Douglas de Castro Carneiro

Pós Doutorando em História Social/ Universidade Estadual de Londrina.
Publicado no Liceu Online por:

guimaraes2001

Piracanjubense, graduando em História (UFG), pesquisador iniciante e professor em formação. Apaixonado por literatura e cinema, atualmente pesquisando sobre teoria e filosofia no movimento operário durante a ditadura militar (1964-1985).

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