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por João Paulo Capelotti, especial para o LiceuOnline.

“Três vezes adeus” é a história do término de um relacionamento, e como Antonio e Marta lidam com isso. Ele é um chef de cozinha em ascensão, e já sente saudades desde o primeiro dia longe dela. Mas como a iniciativa do rompimento foi sua, não quer dar o braço a torcer, então se refugia no trabalho. Marta, professora de educação física, entra num estado de apatia e falta de apetite, não tem paciência com as tentativas desajeitadas de ajuda da irmã faladeira e egocêntrica, e não liga para o colega professor de filosofia que claramente está interessado nela. Marta descobrirá em breve que não está passando apenas por uma fossa decorrente da separação do namorado que lhe contava piadas, mas por um problema de saúde mais sério, que lhe convidará a enxergar a vida por outra perspectiva – um libelo “carpe diem” que já vimos um milhão de vezes no cinema. Mas a diretora catalã Isabel Coixet sabe contar essa história com ar meio banal de maneira delicada e envolvente, conferindo verossimilhança às situações e principalmente aos sentimentos dos personagens, auxiliada pelo elenco competente encabeçado pela ótima Alba Rohrwacher. Há também todo um cuidado com a paleta de cores: na primeira cena, Marta e Antonio usam verde, que parece ser a cor dele. A partir de então ela passará a usar cada vez mais vermelho, seu oposto complementar, como se o verdadeiro eu dela passasse a aflorar progressivamente. Com relação à irmã, há um contraste bem nítido: Marta veste cores claras, e Elisa sempre está de preto. Uma pena que apesar do bom desenvolvimento da história de modo geral haja espaço para bobagens como as cenas meio constrangedoras da protagonista conversando com a figura de papelão de um cantor de k-pop que ela pegou do lixo. Fica parecendo uma desculpa para que a atriz exteriorize em diálogo emoções que já estavam demarcadas pela linguagem corporal e pelo subtexto.

 

Nota: 3/5

Sobre o(a) Autor(a)

João Paulo Capelotti

É advogado e pesquisador, e gosta de cinema desde que se entende por gente.
Publicado no Liceu Online por:

Edição - Liceu Online

Revista online de Humanidades. @liceuonline

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