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por Matheus Botelho, especial para o LiceuOnline.

O ano de 2026 começou com uma operação militar dos Estados Unidos sem precedentes na América do Sul. Vale lembrar que os EUA já haviam realizado operações semelhantes na América Central, na pequena ilha de Granada (1983) e no Panamá (1989). Porém, esta é a primeira vez que ocorre um ataque direto do Exército estadunidense na América do Sul.

 

A queda de Nicolás Maduro já vinha sendo ensaiada desde o ano passado. Maduro foi acusado, sem evidências, de chefiar o Cartel de Los Soles. Militares dos EUA já estavam estacionados na costa venezuelana, inclusive com seu maior porta-aviões, o USS Gerald R. Ford. Embarcações acusadas de transportar entorpecentes para os EUA foram abatidas no Mar do Caribe e navios petroleiros foram interceptados.

 

O que diferencia a operação militar na Venezuela das centenas de violações à soberania de países cometidas pelos EUA ao longo dos anos é o seu caráter explícito. Não há maquiagem, não há pretexto de que a invasão seja em nome da democracia ou dos direitos humanos. Trata-se de um imperialismo escancarado para todos verem. O presidente Donald Trump deixou claras suas intenções: o interesse pelo petróleo venezuelano e a reafirmação da América Latina como zona de influência dos EUA.

 

O atual governo estadunidense resgatou a Doutrina Monroe, mas em um contexto diferente. Se, no século XIX, essa doutrina serviu para minar a influência europeia no continente americano, agora ela serve para conter a influência de russos e chineses na região.

 

Estamos presenciando um momento único na história: a falência total da ordem liberal construída no pós-Segunda Guerra Mundial. O direito internacional e a ONU perdem cada vez mais relevância. A nova ordem mundial volta a se basear na lei do mais forte e na divisão do mundo em zonas de influência, com três grandes potências principais: EUA, China e Rússia. É a nova Era dos Impérios.

 

A situação é trágica para a América Latina, que possui uma direita e uma extrema direita totalmente subservientes aos interesses estadunidenses. A esquerda, por sua vez, nutre ilusões acerca da Rússia e da China. A Rússia está preocupada com seu próprio quintal e não tem dificuldade alguma em reconhecer que a América Latina é um “quintal” dos EUA. A China mantém amplos negócios com países da região, especialmente o Brasil, mas não se deve esperar grande solidariedade além de notas de repúdio por parte de Pequim. A China não irá se aventurar por causa da América Latina.

 

Parte da esquerda quer uma União Soviética para chamar de sua, mas a solidariedade chinesa para com os países emergentes — o chamado Sul Global — é praticamente inexistente. O que China e Rússia fizeram pela Palestina? Até a União Europeia foi mais incisiva na condenação dos atos de Israel.

 

O cenário futuro é pessimista, diante do avanço da direita em toda a América do Sul. No Brasil, não é diferente. O presidente Lula é amplo favorito nas eleições deste ano, mas trata-se de um político de 80 anos, sem herdeiros diretos, enquanto a direita e a extrema direita brasileira possuem um vasto cardápio de lideranças.

 

A América Latina só pode contar consigo mesma. É necessário trabalhar pela construção de uma unidade civilizacional latino-americana. A luta pelo nacionalismo e pela soberania é uma luta existencial.

 

As ideias e os conceitos apresentados neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento do LiceuOnline.

 

Imagem de capa: criada por ChatGPT.

Sobre o(a) Autor(a)

Matheus Botelho

Licenciado em História, é professor da rede particular de Goiânia. Possui interesse em história política, relações internacionais, música e religião.
Publicado no Liceu Online por:

Jéssica Fernanda de Sousa

Edição - Liceu Online

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