O filme do diretor Tiago Melo parte de uma premissa inusitada e intrigante: no sertão nordestino, americanos e brasileiros estão em busca de urânio para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, por meio da radiação – isso num futuro distópico em que o Brasil é novamente governado por uma ditadura militar e o aquecimento global aumentou as áreas de incidência das doenças tropicais. Há várias ideias que o cineasta parece querer articular, como os interesses estrangeiros nos minérios brasileiros, em meio a elementos de ode a marcas da cultura nordestina, como o tecnobrega em volume altíssimo no carro da protagonista Rúbia (Rejane Faria, de “Marte Um”) e a onipresença das motos como meio de transporte dominante, e de um realismo mágico tipicamente latino-americano, como um cego e um fantasma capazes de localizar jazidas. Mas tudo isso se dilui num roteiro com diálogos duros (o da cientista com seu chefe ministro pelo telefone dói nos ouvidos de tão artificial) e numa montagem arrastada e por vezes enfadonha, que deixa evidente que tem metragem sobrando para pouca trama. Poucos bons momentos envolvem o poço de carisma que é Tânia Maria, a sensação de “O agente secreto”, improvisando como Rita, uma moradora local que trata galinhas como se fossem filhas, e a fotografia bem cuidada de Gustavo Pessoa, que garante pelo menos beleza plástica a um filme que deixa uma sensação de pastel de vento.
Nota: 2/5









